Deco, o português de Indaiatuba, cidade do Estado de São Paulo, Brasil, que desde 2003 joga pela Selecção, tomou a decisão, pensada e justificada, de se retirar dos compromissos internacionais após o Campeonato do Mundo, mas confessa que já está a sentir saudades ainda antes de ter chegado o momento do adeus. "Quando nos aproximamos do fim, há sempre uma certa nostalgia. Na Selecção, passei momentos fantásticos, fiz grandes amigos. Fui sempre muito bem tratado, como se calhar nunca esperei ser", revelou ontem o Mágico, dizendo mesmo que chegou a ter, na Selecção, uma espécie de porto de abrigo, onde encontrava consolo e paz quando as coisas lhe corriam mal no clube. "Chegou a ser um refúgio para mim, vai marcar-me para o resto da vida. Tive fases más nos clubes e, na Selecção, sentia-me em casa. É uma relação de sete anos, fui muito feliz aqui, espero ser ainda mais", expressou o actual jogador do Chelsea - que depois do Mundial deve negociar o regresso ao futebol brasileiro.
Garantindo que se sente em perfeitas condições - esta época, aliás, não teve o desgaste de outras -, Deco promete, de resto, apresentar-se ao seu melhor nível, até porque pretende que a última impressão, que é sempre a que fica, seja a melhor possível. "Vai ser o melhor Deco, com certeza. Estou a preparar-me bem e com certeza vou estar no meu melhor. Vai ser seguramente o meu último Mundial e espero que seja lembrado de uma forma positiva", salientou o talentoso centrocampista, que cumpriu a primeira internacionalização por Portugal em Fevereiro de 2003, frente ao... Brasil, tendo desde aí marcado presença em dois Europeus (2004 e 2008) e num Mundial (2006), sempre com um natural estatuto de indiscutível. O Mágico entende, porém, que não é insubstituível, dizendo que há jogadores capazes de o substituir. "A Selecção não vai sofrer com isso. Não há nenhum jogador insubstituível, acaba por aparecer outro", referiu Deco, cujas sombras são, no entender de Carlos Queiroz, Simão e Danny.
Ambiente "é espectacular"
Tem sido visível a boa disposição dos jogadores, que Deco assegura não ser forçada, negando assim um eventual desentendimento entre Beto e Bruno Alves que o jornal "Correio da Manhã" noticiava suportado numa sequência de fotos de um exercício de diversão dos jogadores. "O ambiente é espectacular. Não temos preocupação de mostrar uma imagem que não seja real. Se calhar devíamos ter mais cuidado, como foi o exemplo do Bruno e do Beto, numa brincadeira. Há pessoas que aproveitam essa ingenuidade, porque falar da Selecção com ambiente bom não vende jornais", afirmou.
Pergunta O JOGO
Em desacordo com Carvalho
Ricardo Carvalho disse que a equipa que disputou o Campeonato do Mundo de 2006 era superior à actual, mas Deco não concorda minimamente com o seu também colega de equipa no Chelsea e não tem problemas em assumir essa diferença de pensamentos. "Só no final do Mundial é que se vai poder ter uma opinião, mas não concordo de maneira nenhuma", atirou. "Temos jogadores diferentes. Em 2006 tínhamos, se calhar, jogadores com mais experiência, como o Figo, que era um líder nato, mas hoje se calhar temos mais opções", reforçou o Mágico.
Pergunta O JOGO
A Jabulani, a bola do Mundial, tem sido criticada. Também a considera "horrível"? E ela é má também para os jogadores de campo ou mais para os guarda-redes?
Não podemos chamar horrível à bola, temos de a tratar com carinho [risos]. Mas não é das melhores com que já joguei. Há dificuldades no controlo, a direcção e a trajectória variam muito. É ruim para os dois, guarda-redes e jogadores de campo. A principal diferença é que temos de tentar controlar a bola antes de fazer o resto.
