Depois da forma como deu a volta à Lázio e resistiu - com sorte, mas também pulmão, inteligência e sabedoria táctica - durante quase 45' em inferioridade numérica, que mais faltará acontecer a este Sporting que ainda sente naturais dores de crescimento? No melhor e no pior, Insúa é parte indissociável da vitória que deixa os verdes e brancos bem encaminhados na corrida aos 16-avos-de-final da Liga Europa. Depois de ter devolvido a equipa a uma posição de vantagem no marcador com um tiro fenomenal de fora da área na derradeira jogada do primeiro tempo - Wolfswinkel, com uma finalização de classe, abrira as hostilidades; Klose respondeu -, o lateral festejou efusivamente e, de tão eufórico e deslumbrado que estava com a ocasião, chutou uma bola para a bancada, gesto que lhe custou um cartão amarelo. O segundo, seguido de vermelho, aconteceu após disputa de bola com González aos 50', numa leitura severa do árbitro belga Serge Gumienny. Começava aqui o grande e inesperado teste à armada leonina e à sagacidade táctica de Domingos, que arrumou o jogo e gritou "vitória" à terceira substituição - isto para desespero de Edoardo Reja, que foi expulso ao intervalo e, por isso, na etapa complementar teve de comandar os romanos a partir da bancada.
Com um buraco para tapar na esquerda da linha defensiva, Evaldo, que aparentava estar meio adormecido na zona de aquecimento, saltou para dentro de campo - Carrillo foi o sacrificado. O Sporting passava uma borracha no 4x3x3 inicial e passava então a jogar em 4x1x3x1, com Capel aberto no corredor canhoto e Schaars e Matías alinhados à frente de Rinaudo, embora o holandês tivesse mais fôlego para se chegar a Wolfswinkel, enquanto o chileno tinha de interpretar uma dupla função, ora fechando ao meio, ora viajando até à direita para dar uma ajuda a João Pereira. Matías esforçou-se, mas estava sem andamento, sem pernas para acompanhar as correrias dos adversários - faltava-lhe a intensidade e o ritmo de Schaars. Polga e Onyewu, na zona central da defesa, iam despachando as investidas; Capel, pela esquerda, esboçava uma ou outra reacção para colocar o opositor em sentido; Wolfswinkel desgastava-se de um lado para o outro na frente, pressionando e desmarcando-se, mas... a Lázio estava melhor, mais fresca e mais rápida na circulação, notando-se a superioridade numérica. Domingos percebeu que, assim, o Sporting estava condenado a, mais minuto, menos minuto, sofrer o golo do empate. Foi por isso que lançou André Santos no lugar de Matías Fernández (69').
Com André a bascular, desempenhando o mesmo papel que estava entregue a Matías, havia, porém, mais nervo e mais frescura no meio-campo, mas ainda não chegava, era curto: a Lázio continuava por cima, ameaçando o empate, que esteve nos pés de Konko - e na barra de Patrício - ao minuto 72. As pulsações dos adeptos ainda não tinham baixado quando o treinador leonino aplicou o xeque-mate táctico: Carriço, um central que sabe jogar a trinco, ia a jogo por troca com Capel. Contra uma Lázio que já actuava em 4x2x4, com as asas bem enfiadas na frente de ataque, o meio-campo do Sporting transformava-se de vez e já era mais músculo do que técnica ou criatividade, detalhes que ficavam praticamente confinados a Schaars. Carriço juntou-se a Rinaudo no coração do terreno, Schaars derivou para a esquerda e André Santos ocupou-se do fecho à direita. Com esta parede, onde havia frescura, raça, agressividade e, sempre, entreajuda para dar e vender, o leão - que a cada jogada recebia dos incentivos do público um estímulo adicional para combater e resistir - criava dificuldades de penetração ao conjunto italiano, que, por desespero e ausência de soluções alternativas, começou a ceder e a dar prioridade às bolas bombeadas. A excepção foi o lance em que Cissé rompeu na direita e serviu Rocchi no poste mais afastado, mas aí, tal como na jogada de golo que morreu na barra, a fortuna esteve com os da casa, se bem que a acção de Onyewu, estorvando o capitão da Lázio, também deva ser realçada. Correu bem. Consequências do desgaste físico suplementar? Domingo, em Guimarães, logo se vê.
Arbitragem
E vermelhos para a Lázio?
Rigoroso e implacável nos dois momentos que conduziram à expulsão de Insúa, o árbitro belga Serge Gumienny foi amigo do peito dos jogadores da Lázio, nomeadamente Hernanes - que teve livre-trânsito para discutir decisões e deixar uns quantos adversários com nódoas negras para mais tarde recordar -, Dias - que seria excluído pelo seu treinador depois de ter feito o suficiente para recolher o segundo amarelo e respectivo vermelho - e ainda Cissé, que até já tinha um cartão amarelo quando deu uma pisadela a Rinaudo. Na derradeira jogada do encontro, primeiro não teve indicação para anular o ataque dos italianos por fora-de-jogo e depois emendou o erro ao julgar mergulho de Sculli e não puxão de Carriço.
