A revelação da constituição da equipa portuguesa deixou, logo à partida, uma mensagem demasiado perigosa, transmitindo um excessivo respeito pela Espanha, especialmente com a colocação de Ricardo Costa a defesa-direito. A Selecção Nacional perdeu capacidade ofensiva num dos corredores (Fábio Coentrão, no lado esquerdo, voltou a apresentar-se a um nível muito positivo) e, por consequência, nunca conseguiu dar amplitude no momento do ganho da bola, nem sair em transição rápida, optando por um inconsequente jogo interior - Portugal nunca conseguiu fazer dois/três passes seguidos.
Perante uma Espanha (reconheça-se) muito forte, a Selecção Nacional poderia e deveria ter sido mais eficaz em determinados momentos, mas nunca conseguiu sair de forma eficaz da zona de pressão e, muito menos, em transição rápida, até porque os nossos avançados também nunca conseguiram dar confiança ao colectivo. Globalmente, a Selecção Nacional cometeu demasiados erros cruciais perante uma Espanha que é mestre na gestão da bola e dos tempos de jogo, tendo sido evidente uma enorme sensação de impotência. Não pela falta de disponibilidade dos jogadores portugueses, mas sim pela tendência de pressionar individualmente e nunca de forma colectiva, especialmente a partir do momento em que a Espanha chegou à vantagem.
Portugal ainda teve algumas oportunidades para fazer o golo (o desvio de Puyol, aos 51', foi o mais flagrante) mas a verdade, nua e crua, é que a Selecção Nacional acaba por ter alguma sorte no jogo, devido às imensas oportunidades que a Espanha criou. Aliás, se Eduardo não tivesse sido enorme na baliza, o resultado poderia atingir proporções péssimas, perante uma Espanha que, e é importante sublinhar, ainda não se tinha apresentado a este nível no Campeonato do Mundo.
O melhor | A qualidade demonstrada por Eduardo ao longo de todo o Campeonato do Mundo, assumindo-se como o melhor jogador da Selecção Nacional na prova. Perante a Espanha, deu mais uma prova irrefutável do seu enorme valor, deixando claro que a baliza portuguesa está muito bem guardada. Eduardo foi determinante ontem, evitando um resultado (bem) mais dilatado.
O pior | A incapacidade portuguesa para dar amplitude ao jogo, optando por um jogo interior que nunca teve consequências práticas. Mal na transição e em sair da zona de pressão, a Selecção Nacional perdeu-se no jogo da Espanha, que é mestre a gerir os tempos de jogo e a gestão da bola. Colectivamente, a equipa nunca soube pressionar, especialmente depois da Espanha ter marcado o golo.
Jogadores chave
Eduardo
A excelência | Mais uma tremenda exibição. Para mim, como seu treinador, sinto um enorme orgulho por tudo o que fez, deixando claro, uma vez mais, que é um guardião de qualidade mundial.
Fábio Coentrão
Sentido posicional | Demonstrou que está um lateral com sentido posicional de grande eficácia e ofensivamente esteve muito bem a contemporizar os momentos de saída. Pena que no lado direito não tivéssemos esse jogo ofensivo.
Xavi
Sempre a girar | Faz com que o futebol pareça fácil, da forma como sai da pressão e decide os ritmos do jogo, dando sempre mais amplitude, rapidez e/ou profundidade.
