Jonas Mendes deixou a sua terra e procurou vingar com suor e lágrimas num país distante. Subiu a pulso do pó dos campos de futebol distrital e viu chegar a hora de percorrer o túnel de um estádio grande como o de Alvalade para entrar no relvado de um dos maiores de Portugal, pronto a jogar perante milhares no local, milhões no mundo, apenas com 22 anos e um jogo e meio na principal Liga portuguesa. "Ah! Não posso dizer que estou com receio, mas com ansiedade, sim. Estou com ansiedade, porque jogar contra o Sporting é jogar contra o Sporting. É um dos clubes grandes de Portugal e por isso sinto alguma ansiedade. Medo, isso é que não!"
Que alegria será para os companheiros de pouco mais de meio ano atrás, no Amora, do Distrital da AF Setúbal, colados à televisão domingo à tarde a ver o Asa Negra lá no relvado de Alvalade. "Como é que sabe disso do Asa Negra?" ri-se à gargalhada Jonas Mendes, que não desarma e dá a explicação. "Asa Negra foi uma alcunha que ganhei um dia que estava lesionado num braço. Estava a fazer tratamento e um companheiro entrou e disse: 'Ei mano, como é que é essa asa negra?', e a alcunha acabou por ficar. Alguns ainda me chamam assim". No Amora, o plantel era uma família e Jonas Mendes não esquece os amigos. "Há sete meses, jamais me passaria pela cabeça que hoje estaria onde estou. Foi tudo muito rápido, um sonho. A princípio nem acreditei." Que curioso é o destino que a cada passo nos mostra que está traçado: o futuro de Jonas Mendes era mesmo deixar o Amora e ingressar na Liga principal. Podia ter sido no Olhanense, é verdade, mas acabou por ser no Beira-Mar. "Estive uma semana à experiência em Olhão. Depois disseram-me: 'Vamos embora, vais para o Beira-Mar', e eu disse: 'O quê? Não acredito!' Mas era verdade, e aqui estou." Para os mais distraídos: a estreia de Jonas Mendes na primeira Liga foi em Olhão, há duas jornadas, após o intervalo. A estreia a titular foi na semana passada, em Aveiro, contra o Marítimo. Dois jogos, duas derrotas. "Isso é que é chato", admite.
