Nolito estremece e Gaitán derruba

Nolito estremece e Gaitán derruba

N uma eliminatória a duas mãos, ganhar 1-0 no jogo de abertura não é bem a mesma coisa do que ganhar 2-0. Aliás, faz toda a diferença, pois com este resultado o Benfica viaja até à Turquia com o pássaro nas mãos. O tal golo que deixa as águias quase apuradas para o play-off de acesso à fase de grupos da Champions foi obtido nos minutos finais, perto do fim, numa obra-prima de Gaitán que foi uma espécie de prenda inesperada do argentino para Jorge Jesus e restante grupo. Um momento de inspiração individual resolve praticamente uma eliminatória que, mesmo com uma exibição pouco mais do que razoável, poderia ter ficado decidida bem mais cedo - assim o árbitro suíço o quisesse, tendo em conta que deixou passar em claro duas grandes penalidades favoráveis aos encarnados.

Se o resultado foi óptimo e até poderia ter sido de luxo, a exibição benfiquista não merece elogios por aí além. Jesus tem muitas desculpas, sobretudo na defesa, praticamente nova em relação aos ensaios de pré-época, mas, curiosamente, o sector recuado até nem deu grandes motivos para ser criticado. Foi na fase de construção que a equipa mais pecou, só se conseguindo encontrar depois da entrada de Nolito e dos seus repelões, a conseguirem finalmente desestabilizar a defesa adversária.

Surpreendentemente macio nas marcações, o Trabzonspor deixava o Benfica trocar a bola no miolo com relativa facilidade. A mobilidade de Saviola e de Gaitán confundiam os médios de contenção Zokora e Colman e nos primeiros minutos as águias iam dado aqui e ali as suas bicadas. Cardozo sofreu um penálti nas barbas do árbitro e pensava-se que o golo iria aparecer ainda na primeira parte. Era só uma questão de concentração e crença dos benfiquistas, que tinham espaço para jogar, faltando apenas discernimento para os explorar da melhor forma.

Alguma precipitação no último passe e, principalmente, a falta de um Aimar mais interventivo, eram os principais defeitos a apontar a uma equipa que, com os minutos a passar, foi-se deixando invadir pela descrença, quase adormecendo em alguns momentos.

Os turcos começaram a arriscar quando se aperceberam que o gás do Benfica ia perdendo força minuto após minuto e até podiam ter marcado aos 27'. Aliás, Mierzejewski introduziu mesmo a bola na baliza, mas teve o azar de estar uns (poucos) centímetros adiantado em relação aos centrais e o árbitro invalidou bem por fora-de-jogo. Um falhanço na marcação à zona de Garay e Luisão, que deixaram as costas desguarnecidas, o que viria a repetir-se aos 50', agora com Burak, também a marcar depois de o árbitro ter apitado. A Luz começava a ver o cenário a ficar com cada vez menos Luz, até que Jorge Jesus percebeu com grande perspicácia que fazia falta um homem repentista para dar um estremeção na equipa. Quem poderia ser? Nolito, pois claro.

Com a entrada do espanhol o jogo mudou do dia para a noite: a equipa ganhou luz e alegria, começou finalmente a fazer tremer o adversário. As fintas que quase nunca saíam bem a Gaitán e Enzo Pérez estavam guardadas nos pés de Nolito e até Aimar começou a correr. O público começava a acreditar e a ficar empolgado, até que, numa grande jogada de entendimento entre os camisola 9 e 10 surgiu a primeira explosão de alegria. Com mais um penálti que ficou por marcar pelo meio e o tal momento de magia de Gaitán, o Benfica tem o play-off à vista. A defesa parece ser o sector mais fraco dos turcos e, com mais espaço para jogar, as águias têm tudo para marcar em Trabzon. E passar.

Benfica-Trabzonspor 2-0

Estádio da Luz

Relvado razoável

Espectadores 37341

Árbitro Stephan Studer (Suíça)

Marcadores:

Golos

1-0 Nolito 71'

2-0 Gaitan 88'

Benfica

Artur, Ruben Amorim (Maxi Pereira, 64), Luisão, Garay, Emerson, Javi Garcia, Enzo Perez (Nolito, 54), Pablo Aimar (Witsel, 74), Nico Gaitan, Saviola e Cardozo.

Trabzonspor

Tolga Zengin, Serkan Balci, Giray Kaçar, Glowacki, Ondrej Celustka, Zokora, Colman, Alanzinho (Aykut Akgun, 67), Burak Yilmaz, Adrian Mierzejewski (Pawel Brozek, 85) e Paulo Henrique.

Cartão amarelo para Giray Kaçar (22), Zokora (41), Ruben Amorim (44), Javi Garcia (56) e Nolito (73).