Uma portuguesa campeã da Europa

PAULO ANUNCIAÇÃO

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Apesar de nascida em Blois, no centro da França, Sónia Bompastor - capitã da equipa do Lyon que conquistou a Liga dos Campeões, na semana passada - mantém uma forte ligação a Portugal. "Os meus pais são da Póvoa de Varzim, e praticamente toda a família vive na região. Sempre que posso, vou lá", disse Sónia numa entrevista ao canal Ma Chaîne Sport. A Champions feminina foi disputada pela primeira vez em 2001/02 e tem sido dominada desde então por equipas alemãs (seis títulos). O Lyon perdeu a final de 2009/10 frente ao Potsdam (0-0, 6-7 nos penáltis). Na semana passada, dois dias antes da final masculina, as pentacampeãs francesas tiveram direito a desforra e bateram (2-0) a mesma equipa alemã na final, disputada no estádio do Fulham, em Londres. A taça foi levantada, pela primeira vez, por mãos francesas. Isto é, franco-portuguesas. "Tenho muito orgulho nas minhas origens. Portugal, de certa forma, esteve presente nesta final europeia", disse Sónia, de 30 anos (faz 31 no dia 8). Bompastor nasceu praticamente com uma bola de futebol nos pés, no seio de uma família que inclui um (pai) árbitro e um (irmão) jogador-treinador. Todos fanáticos do Benfica: "Em pequena, estava proibida de apoiar o FC Porto. Mas este ano, confesso, os dragões estiveram muito fortes." Num longo artigo sobre a pequena (1,62 metros, 52 quilos) jogadora de origem portuguesa publicado no diário "Le Monde", o treinador da equipa feminina do Lyon, Patrice Lair, descreve Sónia como "uma das melhores, senão a melhor jogadora, que o futebol francês conheceu até hoje". O Lyon é uma das poucas equipas francesas totalmente profissionalizadas (os salários das jogadoras variam entre os três e os cinco mil euros mensais). Sónia Bompastor, defesa-esquerda, foi seis vezes campeã nacional (Montpellier, Lyon), tem 126 internacionalizações, conquistou vários títulos individuais e jogou dois anos na liga americana. Regressou no ano passado com o objectivo de ajudar o Lyon a conquistar o título europeu. Quando começou a jogar futebol mais a sério - na equipa mista do US Mer, entre os oito e os 12 anos -, Sónia teve de conviver diariamente com as bocas sexistas e o desdém dos rapazes. "Quando volto à minha região, cruzo-me muitas vezes com esses mesmos rapazes", contou ela ao "Le Monde". Mas, agora, as bocas deram lugar a felicitações.