Hermínio Loureiro devia era aprender a assobiar

Hermínio Loureiro devia era aprender a assobiar
JOSÉ MANUEL RIBEIRO

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Na ânsia patriótica de apoiar, incentivar e acarinhar a Selecção Nacional, Hermínio Loureiro, presidente da Liga e da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, disse ontem à agência Lusa que "os adeptos têm de apoiar, incentivar e acarinhar" a Selecção Nacional. Mas não têm. Nenhum artigo ou alínea da Constituição obriga os cidadãos a apoiar, incentivar e/ou acarinhar quem quer que seja. Pelo contrário, estão expressamente autorizados a desapoiar, desincentivar e, dentro de certos limites semânticos, até torturar quem muito bem entenderem.

O unanimismo é uma forma de cegueira selectiva que começa por afectar quem vê e depois avança para quem é visto. Faz desaparecer o rigor e os defeitos e acaba por produzir uma excrescência que é o mais parecido que vi com censura em 20 anos de jornalismo. Esqueçam o caso TVI. Sobre os críticos de Scolari, com tanto direito à liberdade de expressão como qualquer outro português, foram publicados livros carregados de insultos explícitos. Antes disso, porém, já eu vivera um mês traumatizante com a Selecção do Mundial'2002 durante o qual pudera observar os efeitos da subserviência e de um inacreditável excesso de estrelato que definiu para sempre o meu ponto de vista.

Acreditando que está ultrapassado, esse é um tempo ao qual Hermínio Loureiro e a Selecção de Queiroz não querem voltar (digo eu). Que importa se, para o conseguir, for preciso aguentar meia dúzia de assobios?