Mats Magnusson: "Ser pai aos 53 anos está a ser fantástico"

Mats Magnusson: "Ser pai aos 53 anos está a ser fantástico"
Ana Proença

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SÓ CONVERSA Magnusson vai lançar a sua biografia durante 2017. A tradução para português só deve acontecer no ano seguinte.

Magnusson vai lançar a sua biografia durante 2017. A tradução para português só deve acontecer no ano seguinte. Nesta altura, passa dias inteiros fechado numa sala com o jornalista sueco, encarregue da escrita. Curiosamente, a conversa não começou pelo livro, antes pela experiência que atualmente mais preenche a sua vida. Aos 53 anos de idade, Magnusson é pai de um rapaz de quatro anos.

Podemos conversar em português ou prefere inglês? Sueco não sei, lamento...

Podemos, pelo menos, começar em português [risos]. A minha mulher é brasileira e fala com o nosso filho em português, por isso ouço português em casa todos os dias.

Vi umas fotos suas com o seu filho no Facebook. É ainda muito pequenino.

Tem quatro anos. Tenho mais dois filhos, já adultos, a Natalie e o Sebastian. Mas, há seis anos, conheci uma brasileira encantadora, a Valdenice. Como eu ainda falava alguma coisa de português, isso uniu-nos. Casámos e em 2012 nasceu o Derek Benjamin da Silva Magnusson.

Esperava voltar a ser pai com quase 50 anos?

Nem pensar! Até porque o nascimento do Derek foi um autêntico milagre.

Como assim?

Tínhamos um relatório médico a dizer que Valdenice, devido a problemas nos ovários, não podia ter filhos. Já estávamos juntos quando ela soube que era infértil, ficou muito triste na altura. Deixámos de fazer sexo protegido, uma vez que não havia qualquer risco de engravidar. Até que o período lhe faltou... [risos]. A minha mulher fala muito com Deus e acredita que foi um milagre. Ela é preta e o Derek nasceu todo branquinho. Quando ele tinha três anos, estava sentado no colo da mãe e disse: "mamãe você é chocolate, eu também sou chocolate, mas o pai não" [risos].

Já acharam que era o avô?

Sim. Uma senhora perguntou-me quem era a mãe... e o pai.

Como é ser pai aos 53?

Está a ser fantástico, o Derek é a estrela da casa, é muito sociável, fala com toda a gente. E, além disso, já tem dois pés muito bons para o futebol.

Isso é conversa de pai babado...

A sério! Tem mesmo talento. Tem quatro anos e joga como uma criança de seis. Costumo jogar com ele, mas comigo ele farta-se ao fim de dez minutos. Com os amiguinhos mais velhos, que costumam vir cá a casa, fica horas a jogar. É muito inteligente e aprende muito rápido.

Gostava que ele fosse futebolista?

Claro! É fã do Malmoe. Eu falo-lhe do Benfica, visto-lhe a camisola do Benfica, mas neste momento ele gosta mais do Barcelona. Adora o Messi. Mas isso vai mudar, só tenho de ser paciente.

Chegou-me aos ouvidos que vai lançar uma biografia.

Sim. Inicialmente apenas em sueco. É a minha história desde os oito anos de idade. Muita coisa aconteceu na minha vida. Muitos dias bons, mas também muitos dias maus. Vai ser uma jornada fantástica comigo.

Vai ter muitas revelações?

Sim. A minha vida teve altos e baixos e quero que as pessoas saibam quem é o verdadeiro Magnusson. Em novembro, criei finalmente uma página no Facebook, a pensar na promoção do livro. Num mês fiquei com 4800 amigos e 90% deles são portugueses.

Suponho que adeptos do Benfica...

A maioria sim, mas também tenho amigos de outros clubes. Sabia que nos quase cinco anos que estive no Benfica, com quase 100 golos marcados, nunca consegui marcar ao FC Porto? Nem uma vez! [risos]

Por que acha que os benfiquistas gostam tanto de si?

Lembro-me que no antigo Estádio da Luz, os jogadores podiam estacionar dentro do estádio, mas eu estacionava sempre cá fora, tivesse o Benfica ganho ou perdido. Os adeptos ficavam sempre junto ao carro à minha espera. Acho que as pessoas gostaram dessa minha atitude. Os adeptos sabem que eu amo o Benfica. Tenho muitas saudades de Portugal e adorava voltar a viver em Cascais.

Por que não vem?

Se alguém precisar dos meus serviços... Neste momento ainda trabalho, numa grande empresa sueca de equipamentos de ventilação. Estou a planear ir a Portugal em 2017 para falar com o Benfica e promover o livro.

Por que gostava de voltar a viver cá? Por ser mais quente do que na Suécia?

Gosto do estilo de vida português, na Suécia é tudo mais aborrecido.

SAIBA QUE

O ex-avançado do Benfica está a preparar a sua biografia, para ser publicada no ano que hoje arranca. Diz que vai dar a conhecer "o verdadeiro Magnusson". O pretexto para a conversa foi o livro, mas acabou por ser o seu filho de quatro anos a vedeta da entrevista

Para Mats Magnusson vestir a camisola do Benfica era "uma utopia". "Em 1987, o futebol na Suécia não era profissional, mas vinha estagiar a Portugal pelo Malmoe e ia ver jogos ao Estádio da Luz. Quando o meu empresário me disse que o treinador Ebbe Skovdahl me tinha visto a jogar e queria que eu fosse para o Benfica, não acreditei. Achava impossível", conta Magnusson, que usou a águia ao peito entre 1987 e 1992, quando voltou à Suécia para terminar a carreira no Helsingborgs IF, clube da sua terra natal. O então avançado, que fez dupla com Vata, Rui Água ou Yuran, alinhou em 164 jogos, marcou 84 golos e conquistou três títulos: dois campeonatos e uma supertaça.

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