Filipe Penas: "Queremos pôr os cachopos de novo a jogar às escondidas"

Filipe Penas: "Queremos pôr os cachopos de novo a jogar às escondidas"
Ana Proença

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Brincava às escondidas quando era miúdo? Pois fique a saber que existe um campeonato do mundo do jogo das escondidas, que vai para a sua oitava edição e que, pela primeira vez, contará com uma equipa portuguesa. Filipe Penas é um dos jogadores

Na próxima quarta-feira, Filipe Penas parte para Itália com António Ferreira, Henrique Anfilóquio, Fábio Coito e Isaac Fialho. Os cinco amigos, naturais da Benedita, concelho de Alcobaça, vão participar, entre os dias 8 e 10, no 8.º Campeonato do Mundo do Jogo das Escondidas, que se realizará em Consonno, uma aldeia abandonada a pouco mais de uma hora de carro de Milão.

Como é isso de quererem ser o novo Éder? Foi o que li num artigo que já fizeram sobre vocês...

Queremos muito! O Éder era o patinho feio da Seleção Nacional, em termos de apostas devia ser a pessoa menos provável de marcar o golo que iria dar o título europeu a Portugal. E nós também queremos chegar lá, ver e vencer na nossa primeira participação. Queremos fazer uma surpresa e inspirar outras pessoas.

Mas porquê o Campeonato do Mundo de Jogo das Escondidas?

Foi o António, que é nosso capitão, que ouviu falar sobre o campeonato na televisão, achou piada e mandou uma mensagem para o grupo que temos no Whatsapp. Nós dissemos-lhe que sim, mas não ligámos muito. No início deste ano, ele foi buscar a ideia outra vez, porque sempre teve o sonho de ser internacional por Portugal. Aliás, todos jogámos futebol federado nas camadas jovens e tínhamos esse sonho. Mas pronto, não deu, claramente não tínhamos jeito para isso [risos]. Surgiu esta oportunidade, vimos que era uma prova já com alguma dimensão, com mais de 400 jogadores, e que seríamos a primeira equipa portuguesa. Achámos interessante e inscrevemo-nos.

E como é que alguém se prepara para um campeonato do mundo de jogo das escondidas?

Aquilo é mais na base da coesão de grupo, da astúcia e da tática. Claro que convém estarmos bem fisicamente, porque temos de ser ágeis e correr para o coito. Jogamos futebol com regularidade e temos passado mais tempo juntos para reforçarmos o espírito de equipa.

Portanto, isso quer dizer que irem beber umas cervejas ao final do dia para o café do bairro é treino?

Claro. Daí o Café Central ser um dos nossos patrocinadores oficiais, é no fundo o nosso escritório, já nos prometeram um barril de cerveja se ganharmos [risos].

O jogo é mesmo igual ao que jogávamos em criança?

Sim. Os jogadores têm um minuto para se esconderem da forma que quiserem (camuflagem, escalada, contorcionismo, etc.) e o objetivo é conseguirem voltar ao ponto de partida - o coito é um pufe grande - durante os cinco minutos seguintes sem serem apanhados pelos jogadores neutros, que nós chamamos de árbitros. Quem for apanhado fica sem pontos, o primeiro a chegar ganha 20 pontos, o segundo 19, e por aí fora.

E vocês acham que vão chegar lá e vencer entre as 80 equipas participantes, algumas delas já com várias participações?

Sim! Queremos elevar alto o nome de Portugal. Além disso, queremos pôr os cachopos de novo na rua a jogar às escondidas e afastar crianças e adultos dos computadores e iPads. Queremos valorizar as nossas tradições e as atividades ao ar livre. O campeonato vai realizar-se numa aldeia abandonada, é o sítio ideal para isso, não há nada tecnológico: vai ser comida, bebida e diversão!

Durante estes meses de preparação, experimentaram jogar às escondidas?

Claro. Há aqui um sítio na Benedita, a Fonte da Senhora, que tem muito arvoredo e temos ido lá jogar. Ao fim destes anos todos, voltámos a rir bastante! Há sempre uma criança dentro de nós, todos queremos continuar a ser o Peter Pan.

Têm uma série de patrocinadores. Foi fácil arranjar quem patrocinasse a vossa participação?

Numa fase inicial, fomos nós que procurámos. As redes sociais ajudaram a espalhar a mensagem e o nosso projeto foi ganhando algum mediatismo na Benedita. Então, depois foram as próprias empresas a procurarem-nos. Tivemos uma amiga, a Sara Vicente, que estudou jornalismo, e deu-nos uma ajuda com a comunicação. De início, muitas pessoas diziam-nos que isto da seleção nacional do jogo das escondidas era ridículo, outras não acreditavam. E nós perguntamos sempre: como se terá sentido Faustão Duarte quando representou a seleção nacional de futebol no primeiro jogo desta?

SAIBA QUE

Filipe Penas, António Ferreira, Isaac Fialho, Henrique Anfilóquio e Fábio Coito têm idades entre os 26 e os 28 anos, não têm filhos e as suas profissões vão da área da hotelaria, à suinicultura, passando pela engenharia eletrónica, fabrico de calçado e competições de póquer. Sempre que falam da sua ida ao Mundial, fazem questão de nomear os patrocinadores. Até porque, sem eles, tornava-se tudo mais complicado. São eles: Raquetes, Benecar, O Conquistador, Café Central, Master Vantagem Portugal, IVO Cutelarias, Costa Brava, Hupapel, Farmácia Nova Benedita, Profiserv, TugaBuddies, Fiel Serralharia e Sara Vicente - Comunicação & Conteúdos.