A diretora-adjunta do Museu de Serralves, Marta Almeida, lamentou hoje a morte de Helena Almeida, "uma das grandes artistas da história da arte" do país e uma "mulher incrivelmente forte e determinada".
Marta Almeida trabalhou com a artista plástica, que morreu hoje, aos 84 anos, em duas ocasiões, primeiro em 1995, na Casa de Serralves, para a exposição "Helena Almeida: Dramatis Persona: Variações e fuga sobre um corpo" e, 20 anos mais tarde, na exposição individual itinerante "Corpus"/"A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra".
"Foi um orgulho trabalhar com ela há três anos, numa exposição que foi um sucesso europeu. É uma das grandes artistas da nossa história da arte", afirmou à Lusa.
A artista plástica Helena Almeida, de 84 anos, morreu hoje, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte da galeria que a representa, Galeria Filomena Soares.
Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, sobretudo na área da fotografia, tornando-se uma figura destacada no panorama artístico português contemporâneo.
Recordando alguém "para quem o trabalho sempre foi muito importante", e que estava "feliz" pela recente inauguração de uma nova mostra, "Dentro de mim", no passado dia 20 na galeria madrilena Helga de Alvear, Marta Almeida lembrou à Lusa igualmente "a pessoa que foi" a artista plástica.
Almeida era "uma mulher incrivelmente forte e determinada" e "teve sempre um papel importante" no panorama artístico português, recordou a curadora, atual diretora-adjunta do Museu de Serralves.
"Desde o início que se fez representar na própria obra, e temos a sensação de a acompanhar e a todo o seu percurso. É fantástico, nas últimas obras, olharmos para um corpo envelhecido, mas sempre forte e presente", destacou, em declarações à Lusa.
As fotografias de Helena Almeida, com formação em pintura, foram sempre registadas pelo marido, o arquiteto e escultor Artur Rosa, também nascido em Lisboa, em 1926.
Helena Almeida nasceu em Lisboa, em 1934, cidade onde vivia e trabalhava, e estudou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz.
A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005; em 2004, participou na Bienal de Sidney.
Nos últimos anos, a sua obra tem sido exibida no âmbito de exposições individuais e coletivas em museus e galerias nacionais e internacionais.
Em 2017, apresentou igualmente uma exposição individual "Work is never finished" no Art Institute, em Chicago.
Em janeiro, a Tate Modern, em Londres, pôs as obras "Tela Habitada" e a série "Desenho (com pigmento)", de Helena Almeida, em destaque até ao fim do ano, no contexto da exposição permanente.
A obra está presente em coleções portuguesas e internacionais como: Coleção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação Serralves, Porto; Centro de Artes Visuales, Fundación Helga de Alvear, Cáceres; Fundación ARCO, Madrid; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; MEIAC - Museo Extremeno e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM - Musée d'Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.