Moçambique passa a contar com um Comité de Óscares, que tem o objetivo de garantir a candidatura de filmes moçambicanos na corrida aos prémio de cinema mais mediáticos do mundo.
"A ideia é garantir que anualmente tenhamos um filme moçambicano a concorrer aos óscares", disse à Lusa o presidente do Comité, Djalma Lourenço, que também é dirigente do Instituto Nacional Audiovisual e Cinema.
A ideia surgiu no âmbito da candidatura do último filme do cineasta moçambicano Licínio Azevedo, Comboio de Sal e Açúcar, candidatura que acabou por não ser selecionada por falta de verba para promoção, segundo Djalma Lourenço.
"Uma das principais dificuldades foi mesmo o orçamento para a promoção do filme. Temos países vizinhos que arrecadaram mais de 150 mil dólares só para a promoção dos filmes que concorrem e nós não tínhamos nada", lamentou Djalma Lourenço, considerando que a missão do comité é lutar para mudar estas situações.
"Temos de garantir o envolvimento de todos. É o cinema moçambicano que está em causa", reiterou.
O comité tem como integrantes o escritor moçambicano Ungulani Baka Khossa, a atriz Iva Mugalela, os cineastas João Ribeiro, Yara Costa e Karl de Sousa e o reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão.
Para Licínio Azevedo, a ideia é motivadora e vai abrir espaço para a reflexão sobre o incentivo ao cinema em Moçambique.
"Nós precisamos de mais apoio, principalmente no que respeita às produções de ficção", afirmou à Lusa o cineasta, lembrando também que é o nome do país que está em questão nestas competições internacionais.
O Comboio de Sal e Açúcar, uma produção que juntou Moçambique, Brasil e Portugal, tem vindo a receber vários elogios e prémios internacionais, tendo arrecadado o troféu de ouro no último festival de cinema da Tunísia.
O filme resulta da adaptação de um livro com o mesmo nome, escrito há 16 anos por Licínio Azevedo e que narra a história de uma enfermeira que se apaixona por um militar durante a viagem de um comboio que, em plena guerra civil moçambicana, procura chegar ao seu destino sob iminente perigo de confrontos militares.
Moçambique produz uma média de trinta filmes anualmente e maioria são documentários institucionais, facto associado pelos cineastas à falta de patrocínio de produções de ficção.
O Comité do Óscar de Moçambique terá um mandato de dez anos.