Os técnicos do Ministério da Finanças de Espanha argumentam que a defesa do Real Madrid ao internacional português está "fora das suas competências como entidade desportiva"
Os técnicos do Ministério da Finanças de Espanha anunciaram esta quarta-feira, em comunicado, que a defesa do Real Madrid a Cristiano Ronaldo foi "infeliz" e que está fora "das suas competências como entidade desportiva".
"A defesa a Cristiano Ronaldo está fora das suas competências como entidade desportiva. Trata-se de, alegadamente, defraudar os rendimentos de publicidade obtidos individualmente pelo jogador, que nada tem a ver com a atividade do clube", refere o sindicato dos técnicos do ministério espanhol das Finanças (Gestha).
O Gestha considera que o Real Madrid é um clube com uma enorme projeção mundial e que a sua tomada de posição "prejudica o trabalho pedagógico que está a ser feito para sensibilizar a sociedade para a importância de pagar corretamente os impostos".
No documento, acrescentam que entendem que o clube campeão espanhol e bicampeão europeu quer que Cristiano Ronaldo seja considerado "não culpado", mas que "outra coisa bem distinta" é garantir a inocência do internacional português.
Os técnicos lembram que também o Barcelona tentou fazer o mesmo no caso de Lionel Messi, considerando que as ações dos clubes "são irresponsáveis".
A finalizar, os técnicos frisam que a declaração do Real Madrid foi "infeliz" e pedem "contenção" ao clube.
O Real Madrid mostrou esta quarta-feira "plena confiança" em Cristiano Ronaldo, declarando que o jogador português atuou dentro da legalidade no que respeita às suas obrigações fiscais.
"O Real Madrid mostra a sua plena confiança em Cristiano Ronaldo que atuou conforme a legalidade no que respeita ao cumprimento das suas obrigações fiscais", escreveu o clube merengue.
De acordo com o clube, Cristiano Ronaldo "mostrou sempre, desde a sua chegada ao Real Madrid, em julho de 2009, uma vontade clara de cumprir todas as suas obrigações tributárias".
Na terça-feira, o Ministério Público de Madrid acusou Cristiano Ronaldo de ter, de forma "consciente", criado uma sociedade para defraudar o fisco espanhol em 14,7 milhões de euros. Ronaldo é acusado de quatro delitos contra os cofres do Estado, cometidos entre 2011 e 2014, que contabilizam uma fraude tributária de 14.768.897 euros.