Opinião

O problema não são os resultados

Título "perdido" à 14.ª jornada no centro da crise do Sporting? Não. Bruno decidiu despedir Marco pelo facto de este ter "ignorado" os reforços do presidente

Com o Sporting a arder, recupero um naco de prosa publicado neste mesmo espaço a 2 de julho: "As impressões digitais do presidente, para o bem e para o mal, estão vincadas no grupo com que Marco Silva, reformulando e reconstruindo, será obrigado a assumir a discussão do título nacional com Benfica e FC Porto, além de ter de fazer "boa figura" na Liga dos Campeões. É dose de leão." O excerto é insuficiente para explicar tudo o que está a acontecer em Alvalade, mas denuncia a raiz do problema que coloca todo um projeto em xeque: Bruno de Carvalho contratou quem quis e onde bem entendeu, dispensando o treinador do processo; e depois, confiando cegamente na matéria-prima eleita, não aceitou que Marco colocasse num plano secundário a tal "qualidade" que custou dinheiro - só Slavchev e Gauld, juntos, representam cinco milhões de euros -, mas tem aproveitamento zero na equipa A. As críticas via Facebook, os comunicados e os monólogos de Imprensa expõem, entre outras coisas, uma das convicções do presidente: ele não se engana, ou raramente erra. Numa leitura ligeira, dir-se-á que Bruno parece não perdoar que a conquista do campeonato, um objetivo tantas vezes por ele sublinhado, pareça impossível à 14.ª jornada. Mas o que realmente julga e pretende punir com o despedimento do treinador é o facto de este ter "ignorado" a maioria das contratações do presidente.

João Sanches