02

Discurso em jeito de despedida

Mais do que o jogo com a Naval, que Domingos Paciência considera "imprescindível ganhar, pois quanto menos falta para acabar o campeonato, maior é a necessidade de conquistar pontos", o assunto do momento na Cidade dos Arcebispos prende-se com o futuro do treinador. Há quem garanta que Leonardo Jardim o irá substituir na próxima época, mas o técnico dos bracarenses garante que não se sente "minimamente beliscado por essas notícias". "Estou unicamente concentrado em atingir os objectivos a que o Braga se propôs. Isso [Leonardo Jardim em Braga] não me diz nada", afirmou Domingos. A verdade é que, apesar de estar em final de contrato, as únicas conversas que foi tendo com os responsáveis do clube nos últimos tempos foram unicamente de âmbito desportivo. Por isso não surpreendeu que, quando questionado sobre se sentia que a renovação já deveria ter avançado, face às proezas que obteve nestes dois anos, tenha optado por um discurso que pareceu de despedida. "Há uma coisa que aprendi desde que comecei a minha carreira de treinador: temos de nos habituar a viver na solidão, porque muitas vezes perdemos e estamos sós. Mas há outros riscos que corremos. No dia em que me apresentei aqui, assumi o risco de fazer mais e melhor [do que Jorge Jesus], ganhar um título, e isso está quase a fazer dois anos. Se chegar ao final do contrato e sentir que algo de bom foi feito, saio satisfeito e muito orgulhoso por ter defendido um clube como este, com adeptos como estes, e por ter provocado emoções e participado em jogos históricos", referiu.

O próximo, contra a Naval, talvez não entre para a história, mas poderá ser crucial para definir os lugares europeus de uma Liga que Domingos vê como "bastante equilibrada". Aliás, o Braga tem, nesta jornada, uma excelente oportunidade para subir ao sexto lugar e reaproximar-se do Guimarães. Para isso, "basta-lhe" vencer num estádio onde nunca perdeu.

B.F.M.