Internacional

Xavi: "Messi estava contratado, não veio para o Barcelona porque o presidente não quis"

Xavi Hernández, com Carlo Ancelotti ao fundo

Antigo treinador do Barcelona concedeu entrevista ao jornal "La Vanguardia"

Xavi Hernández, antigo treinador do Barcelona, concedeu uma entrevista ao jornal "La Vanguardia" que promete dar muito que falar. O técnico espanhol revelou pormenores do seu despedimento e garante que Lionel Messi só não voltou ao emblema blaugrana porque "o presidente não quis".

"Demitiu-me sem me dizer a verdade, condicionado por alguém que acredito estar acima do presidente, Alejandro Echevarría. Ou seja, foi Alejandro quem me despediu do cargo de treinador. Em janeiro da minha última temporada, eu digo-lhes que, a partir de junho, não continuarei, por bem do clube e de mim mesmo, no plano pessoal. A partir daí, a equipa vai ganhando e são eles que, durante dois ou três meses, até que perdemos na Liga dos Campeões, contra o PSG, e em La Liga, contra o Real Madrid, me dizem constantemente que tenho de ficar e tentam convencer-me. Laporta convenceu-me a continuar. Disse-me textualmente: 'Xavi, não vejo a equipa sem ti, não vejo o novo Camp Nou sem ti, não vejo o 125.º aniversário do clube sem ti como treinador'. E, como ainda tinha motivação e via um grande futuro para a equipa com uma geração tão boa de jovens jogadores a surgir, senti-me capaz de ficar. Só pedi uma alteração no plantel. (...) Eu, agora, penso que nunca mais irei voltar ao Barcelona. Já tive a minha etapa como jogador e como treinador. A partir daí, o meu interesse é contar a verdade", começou por dizer, falando depois de Lionel Messi, que podia ter regressado ao clube em 2023.

"Leo [Messi] estava contratado. Em janeiro de 2023, depois dele ganhar o Mundial, entrámos em contacto e ele disse-me que gostava de voltar. Falámos até março, e eu disse-lhe: 'Ok, quando me deres luz verde, falo com o presidente'. Via isso a acontecer, futebolisticamente. O presidente começou a negociar o contrato com o pai do Leo e tínhamos a aprovação de La Liga, mas foi o presidente que voltou atrás. O meu interesse é dizer a verdade e o Leo não veio para o Barça porque o presidente não quis. Não foi nem por causa de La Liga nem porque o Jorge Messi pediu mais dinheiro. Isso é mentira. É o presidente que, com a sua gente, diz que não, que não pode permitir que isso aconteça, que ele tem todo o poder e que Messi vai gerir mal todo esse poder", revelou. L"aporta disse-me textualmente que, se o Leo voltasse, iria declarar-lhe guerra e que não podia permitir que isso acontecesse. E, de repente, o Leo deixou de me atender o telefone, porque, do outro lado, lhe tinham dito que não podia fazer-se. Liguei ao pai e disse-lhe 'Não pode ser, Jorge', e ele disse-me para falar com o presidente. Eu insisti que levávamos cinco meses a falar com o Leo, que estava feito, futebolisticamente, não havia dúvidas. A nível económico, iríamos a Montjuic e faríamos uma last dance, como a de [Michael] Jordan. Estava tudo preparado", acrescentou, antes de concluir:

"Eu morria de vontade que o Leo voltasse, e, além disso, penso, até ao dia de hoje, que ajudaria a equipa a marcar golos, a fazer últimos passes... Sem dúvida nenhuma, mas vai jogar um Mundial! O Leo voltaria a triunfar em Camp Nou, e, além disso, era o desejo dele e o meu. Ele sabe disso. Agora sabe, mas passei por um período em que não pude comunicar com ele. Foi uma pena, mas foi por culpa de quem lá está", concluiu Xavi.

Redação O JOGO