Benfica

João Diogo Manteigas apresenta propostas para a arbitragem portuguesa

João Diogo Manteigas Lusa

Candidato derrotado nas últimas eleições do Benfica lançou um comunicado esta quinta-feira

João Diogo Manteigas, candidato derrotado na primeira volta das mais recentes eleições do Benfica, emitiu esta quinta-feira um comunicado no qual lança ideias para melhorar a arbitragem em Portugal.

"Na semana em que celebrámos o 122.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, instituição ímpar mundial, importa mantermos uma reflexão contínua, serena e firme sobre os momentos que se têm vivido ao longo desta época. Há que ter sempre presente a necessidade do constante apelo à união e coesão da família benfiquista. Este domingo volta a ser um momento crucial para apoiar a equipa principal, reforçando a confiança e concentração de energias que esse desafio nos exige a todos. Focados e determinados, moralizados pelo apoio superiormente audível nas bancadas de Madrid, reacenderemos o caminho rumo ao 39.º título de campeão! Não escondemos que os resultados desportivos desta época não correspondem às expetativas dos sócios nem à grandeza do nosso clube. Sobretudo quando, pela quarta vez nos últimos 6 anos, o investimento no plantel foi superior a 100 milhões de euros. A responsabilidade é partilhada pela direção, equipa técnica e atletas. A nossa história constitui um fardo grande, mas no sentido positivo em que o objetivo tem de ser vencer sempre. Em todos os campos. Esta exigência jamais se extinguirá", introduz Manteigas.

"É, no entanto, verdade que se torna difícil ignorar o ruído e fatores externos que têm interferido com o normal decorrer da liga 2025-26. Os critérios de arbitragem são inconsistentes e questionáveis. Há uma sensação de variação consoante as equipas em campo, gerando dúvidas legítimas quanto à equidade das decisões. Estes episódios não justificam totalmente os pontos perdidos, mas deterioram o clima competitivo, condicionam e não salvaguardam a verdade desportiva. O silêncio prolongado da nossa direção perante evidentes e sucessivas pressões públicas sobre a arbitragem e instituições desportivas que, ainda esta semana, foram protagonizadas pelos presidentes do Futebol Clube do Porto e do Sporting Clube de Portugal, fragiliza a defesa dos superiores interesses do Sport Lisboa e Benfica. Não são aceitáveis reações tardias, conforme ocorreu na época passada com o dano irreparável da final da Taça de Portugal. Os benfiquistas não esquecerão. Assim, deve o Presidente do Sport Lisboa e Benfica solicitar, imediatamente e de forma pública, a divulgação das avaliações sobre as equipas de arbitragem e de VAR. Deste modo, o público avaliará não só o trabalho dos árbitros, mas também a visão e critério de quem os avalia. O escrutínio é imperativo e tornou-se inevitável. Mas, para que tal aconteça, há que aceder à avaliação dos atos praticados por quem nos causa legitimidade para duvidar. A transparência é a única forma de sobrevivência no futebol português. Só assim se poderá confiar, um dia e de uma vez por todas, na arbitragem nacional", prossegue.

João Diogo Manteigas deixa depois algumas sugestões. "Perante os sucedidos ao longo da presente época desportiva, o Sport Lisboa e Benfica tem o dever de vigilância institucional, podendo solicitar a convocação urgente de reuniões com o Presidente da FPF, LPFP e com todas as sociedades desportivas interessadas. O objetivo passa por promover a abertura do setor ao público em geral, com vista a garantir mais e maior integridade competitiva. Contribuo com algumas questões e sugestões para este efeito: com que justificação, meios e fins, foi implementada uma estrutura VAR no norte do país através da Associação Distrital de Futebol do Porto? Servirá apenas competições desportivas distritais ou pretende-se a sua ampliação a nível nacional conforme o atual Presidente da FPF deu a entender? Necessidade de publicação dos relatórios dos observadores dos árbitros; publicação do fundamento para as nomeações das equipas de arbitragem nos jogos da 1.ª e da 2.ª Ligas; apresentação urgente de uma base para um projeto-lei aplicável exclusivamente aos árbitros e que inclua, sem se limitar, a formação e respetivo plano de carreira das associações distritais até à FPF, as formas de recrutamento, as regras deontológicas, os regimes de incompatibilidades e impedimentos, e a definição do regime profissional, com recurso ou à figura de contratos de trabalho ou à de prestações de serviços", menciona.

Na opinião de Manteigas, "deve ser implementada, definitivamente, a equiparação legal entre árbitros, treinadores e atletas enquanto agentes diretos no espetáculo desportivo. Numa altura em que se caminha a passo rápido para a centralização dos direitos audiovisuais, o setor profissional do futebol não pode permitir que se duvide constantemente do rigor e seriedade dos árbitros, bem como deve sancionar severamente trocas de acusações pífias entre dirigentes bipolares."

Redação O JOGO