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Alvalade como centro de entretenimento para duplicar receitas e o impacto no futebol

André Bernardo (Foto: Financial Times via site oficial do Sporting)

Vice leonino André Bernardo esteve em fórum organizado pelo Financial Times. Abordou o impacto direto da criação de receitas na equipa de futebol do clube

André Bernardo, vice-presidente e administrador da SAD, foi o representante do Sporting no Business of Football Summit, fórum internacional de futebol organizado pelo Financial Times. Presente no painel que abordou o impacto económico e estratégico dos novos estádios de futebol europeu, o dirigente falou do plano para os próximos dez anos, que passa por tornar Alvalade numa referência enquanto centro global de entretenimento.

O dirigente leonino integrou um painel sobre os estádios e os produtos de alta gama que estes oferecem aos adeptos. "Definimos um objetivo. Temos uma localização privilegiada, a cinco minutos do aeroporto e a 15 minutos de metro do centro da cidade. O nosso estádio foi concebido com um centro comercial integrado. Foi vendido no passado, readquirimo-lo e faz parte do nosso plano para os próximos dez anos. Queremos que o estádio funcione como uma plataforma e um ecossistema que sirva os dias de jogo, os dias sem jogo e múltiplas linhas adicionais de receita estratégico claro e fomos públicos em relação a ele: queremos tornar-nos uma referência enquanto hub global de entretenimento. Projetamos duplicar as nossas receitas nos próximos dez anos. Acreditamos que existia muito valor por explorar e que pode ser desbloqueado através da transformação do estádio num verdadeiro centro de entretenimento. Somos bicampeões e conquistámos três campeonatos nos últimos cinco anos. Se duplicarmos receitas nos próximos dez anos, estamos perante uma mudança estrutural. Num contexto em que algumas linhas de receita, como os direitos televisivos, tendem a estabilizar, esta transformação torna-se essencial, sobretudo num mercado como o português", afirmou.

André Bernardo salientou ainda a importância de investimento constante nas infraestruturas para que estas não se tornem obsoletas e sejam prejudiciais à criação de novas receitas: "Podemos seguir dois caminhos: investir ou não investir. E existe um custo associado a não investir. Após a construção do estádio, estivemos praticamente 16 anos sem realizar investimentos estruturais, e isso teve consequências muito negativas, dentro e fora de campo. O caso de investimento é, para nós, mais sólido do que o caso de não investimento. Qualquer plano de negócios é tão bom quanto a credibilidade dos seus pressupostos. Não existe uma solução única para todos. É necessário avaliar quanto faz sentido investir em função da realidade específica de cada clube. No nosso caso, identificámos um potencial significativo por explorar. Contámos com 11 investidores, provenientes de vários sectores. Isso demonstra claramente o apetite existente para este tipo de activo."

O Alvaláxia também servirá de catalisador de novas receitas: "Ao readquirirmos e integrarmos o centro comercial na proposta de valor do estádio, estimamos multiplicar por cinco as receitas nos próximos dez anos. Trata-se, novamente, de captar uma franja de interesse que não estava a ser servida."

A finalizar, o dirigente leonino abordou também o impacto das melhorias antes abordadas na equipa de futebol, o grande motor do clube: "Ao reforçarmos a nossa estrutura operacional, tornamo-nos mais eficazes na gestão de plantel. Podemos investir mais em salários, scouting e desenvolvimento, reter jogadores por mais tempo e negociar com maior poder. Isso gera um círculo virtuoso: melhores condições fora de campo conduzem a melhores resultados dentro de campo, e esses resultados reforçam novamente a sustentabilidade do clube."

Redação O JOGO