A medalha de ouro chegou, após 46 anos de jejum, graças a uma vitória (2-1) no prolongamento diante do Canadá. Como em 1980, frente à União Soviética, a seleção de hóquei no gelo dos Estados Unidos voltou a ganhar mais do que um jogo: ganhou outra história para ecoar no tempo, conquistando o ouro
Há vitórias que contam medalhas e há vitórias que contam histórias. Para compreender a dimensão do novo ouro olímpico dos Estados Unidos no hóquei no gelo, garantido este domingo no último evento dos Jogos Olímpicos de Inverno"2026, é inevitável recuar ao "Miracle on Ice", um dos episódios mais marcantes da história do desporto. A 22 de fevereiro de 1980, em Lake Placid, uma jovem seleção dos Estados Unidos de hóquei no gelo masculino derrotou por 4-3 e então poderosa União Soviética, criando uma referência eterna para tudo o que viesse depois.
Quarenta e seis anos mais tarde, a história voltou a tocar no mesmo ponto emocional. Os Estados Unidos conquistaram a medalha de ouro ao vencer o Canadá por 2-1 após prolongamento, encerrando uma espera longa e simbólica e garantindo o terceiro título olímpico, o primeiro desde aquela noite que se tornou um mito. Tudo isto, no regresso dos jogadores da NHL, após 12 anos de ausência.
A final em Itália foi decidida no prolongamento - em que as equipas atuam com apenas três jogadores (além do guarda-redes), ao contrário dos habituais cinco -, num instante em que o tempo pareceu suspender-se. Jack Hughes recebeu de Zach Werenski e atirou para o fundo da baliza aos 1m41s do prolongamento. Golo de ouro, medalha de ouro. Foi um gesto simples de Hughes, ele que partira vários dentes num choque com um canadiano no tempo regulamentar. Antes disso, Matt Boldy abrira o marcador aos seis minutos, no primeiro remate norte-americano. O Canadá respondeu por Cale Makar e manteve o equilíbrio, travado muitas vezes pelo guarda-redes Connor Hellebuyck, que somou 40 defesas, algumas delas a roçar o impossível.
O triunfo confirmou ainda um feito inédito: pela primeira vez, os Estados Unidos venceram os torneios masculino e feminino na mesma edição, depois de a equipa feminina também superar o Canadá no prolongamento.