II Liga

Depressão Kristin: União de Leiria fala em "prejuízo incalculável"

Estádio do U. Leiria após a tempestade Kristin União de Leiria

Em declarações aos jornalistas, à margem do 1º Congresso do Futebol Português, organizado pela FPF, o diretor da SAD da União de Leiria, Joaquim Ribeiro, descreveu os estragos que o recinto sofreu e a forma como a tempestade tem afetado o dia a dia da equipa.

O diretor da SAD da União de Leiria, Joaquim Ribeiro, descreveu a forma como a casa da sua equipa, o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, foi afetado pela depressão Kristin, que provocou cinco vítimas mortais em Portugal.


Como tem reagido a equipa a esta situação?
Tem sido muito difícil, porque é uma situação que nunca imaginamos que pudesse acontecer na verdade. E, de facto, não ter luz, não ter água, não ter internet, não ter comunicação, dificulta imenso a vida normal de um grupo que necessita de condições para trabalhar. Quando chegámos, depois da tragédia, estava tudo completamente destruído. Neste momento é impossível treinar, porque nem temos como lavar equipamentos, não temos campos em condições, não temos balneários em condições, temos detritos nos campos. Tem sido extremamente complicado e difícil, é inimaginável o que aconteceu e nunca pensei que pudesse acontecer, depois da Covid-19, algo parecido.

Existe alguma alternativa para se disputarem os jogos marcados?
Para já, adiámos os dois primeiros jogos, por impossibilidade de treinar nestes dias, o que nos vai permiti, agora, tentar arranjar uma solução. Estamos constantemente em ligação com muitos clubes, com a Liga, com a Federação, com o município, enfim, com todas as entidades que nos possam ajudar, para encontrar a melhor solução para podermos voltar à normalidade. Inclusive, há uma iniciativa que foi organizada com o município e com a Proteção Civil, com os Bombeiros, em que, num comunicado em conjunto, estamos a apelar à população para nos ajudar a retirar os detritos que estão no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, para acelerar um processo que é muito difícil, uma vez que a Proteção Civil está espalhada por todo o lado. É muito difícil conseguir estar em todo o lado ao mesmo tempo. Nós, pelo nosso lado, vamos tentar ajudar para que o nosso campo seja reutilizado o mais rápido possível, embora saibamos que é muito difícil, porque ficou muito danificado.

Este obstáculo pode afetar as aspirações da União de Leiria de lutar pela subida à I Liga esta época?

Na nossa mente, isso nem entra na nossa cabeça, porque vamos dar sempre o máximo para conseguir os objetivos bem vincados desde o início da temporada. No entanto, sabemos que isto dificulta muito a nossa tarefa, mas vamos compensar com a nossa vontade, o nosso querer, e com a ajuda de todos os nossos adeptos. Acredito que ainda podemos conseguir esse feito.

Tem alguma noção do valor dos prejuízos no Estádio Dr. Magalhães Pessoa?
Acho que é um prejuízo incalculável e extremamente elevado, seria muito arriscado atirar qualquer número. Da observação que fiz, vejo a cobertura completamente destruída, vejo muitas infiltrações, vidros partidos. Os nossos escritórios tiveram alguns danos. Vimos, também, garagens inundadas. Foi muito duro.

Não podendo utilizar o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, que alternativas estão em cima da mesa?
Neste momento estamos a aguardar por alternativas. Temos recebido muito apoio das entidades competentes, e acreditamos que nos possam, até, ajudar a chegar a mais clubes, a mais entidades para podermos no futuro, inclusive organizar os nossos jogos. Acredito que o próximo jogo em casa não será, verdadeiramente, em casa. Acredito, no entanto, que vamos ter ajuda, mesmo sem saber, neste momento, para onde vamos, sinceramente.

Nuno Vieira Rodrigues