Declarações de Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, após a vitória (1-3) em casa do Ceará, no domingo, para a 38.ª e última jornada do Brasileirão. A equipa paulista terminou o campeonato em segundo lugar, com 76 pontos, atrás dos 79 do Flamengo
Resumo do ano de 2025: "Conseguimos bater um recorde, 76 pontos, nunca ninguém ficou em segundo com essa pontuação, mas infelizmente alguém foi melhor. Num ano de reformulação, 17 saídas e 12 entradas, que investimos dinheiro, muito bem planeado, dos cinco títulos em disputa, Brasileirão, Libertadores, só um clube fez melhor que nós. Em relação ao Mundial de Clubes, representámos bem o futebol brasileiro e o Palmeiras a nível internacional. Em relação à Taça do Brasil, não foi um ano que correu bem e estamos atrás dessa competição e não conseguimos, e no Paulista em pelo menos cinco anos que estou aqui fomos a todas as finais. Este ano foi planeado em 2024, temos gente no clube que entende de futebol, queremos sempre que os reforços rendam, mas nem sempre acontece, nem aqui, nem no Real Madrid nem em lugar algum."
Desmente o que se diz sobre os prémios e o salário que recebe no Palmeiras: "Eu sei que pouca gente sabe, mas nos últimos cinco anos, só em venda de jogadores, passamos os dois mil milhões de vendas de jogadores e, em prémios de títulos, mais de 500 milhões. Portanto, isso não é de hoje. Isso é uma prática e, desde que chegámos ao Palmeiras, faz parte do processo e da nossa equipa técnica. Por isso é que, há cinco anos, quando o Palmeiras estava a tentar contratar treinador e ninguém queria vir para o Palmeiras, alguém foi ao PAOK contratar um treinador por mais ou menos 6 milhões de reais, e o treinador aceitou vir para o Palmeiras. E, por cada título que o Palmeiras ganhou desses 10, o treinador, uma parte do meu prémio fui eu que paguei ao PAOK, ok? Por cada prémio que eu ganhei aqui, eu, do meu bónus dos prémios, paguei ao PAOK. Não foi o Palmeiras, fui eu. Depois criam-se narrativas falsas, e isto é absurdo. Às vezes os valores que falam... é inacreditável como, de forma leviana, se falam em 30 milhões, em 60 milhões. Quando quiserem saber, a minha vida é um livro aberto. Perguntem à Leila ou ao Barros [presidente e diretor de futebol, respetivamente] e podem ver quanto é que entra na minha conta, sem problema absolutamente nenhum. É inacreditável, inacreditável como jornalistas falam sem saber absolutamente nada e criam narrativas absolutamente falsas em relação ao meu salário, que é mentira. O valor que falam é mentira. Em relação aos meus prémios, é absurdo os valores que falam. Absurdo. Como é que é possível? Como é que é possível falar nesses valores? Se querem saber, perguntem à Leila, perguntem ao Barros - eu não me importo. Ou então façam o que vocês fazem muito bem: vão aos Catrapassos, vão à CBF, está lá o meu contrato, vejam e falem a verdade, que é para não enganar ninguém. Eu, quando cheguei aqui, tinha zero títulos. Eu não ganhava o que ganhei, o que ganho hoje. Entendem o que eu estou a dizer? Eu ganho o que ganho hoje por isso mesmo: pelos títulos que ganhámos, pelas vendas que fizemos, pelo trabalho que é feito dentro do clube. Por isso é que o clube valorizou aquilo que é o nosso trabalho."
Ausências ao longo do ano: "Nós este ano várias vezes fizemos o que fizemos aqui hoje. O que é que aconteceu contra o Santos? Não viste o Larson a jogar no Santos? No jogo do Santos lá? No jogo do Santos não tínhamos 10 jogadores. No jogo do Juventude em casa não tínhamos jogadores. Foram para as seleções. No jogo de Fortaleza em casa também não tínhamos jogadores. Portanto, o que nós fizemos hoje aqui não foi a primeira vez. Nós, muitas vezes este ano, em função do contexto e das seleções, ficámos sem jogadores e jogámos com outros, como foi aqui hoje. E o que nós fizemos aqui hoje foi coisa séria e responsável, que é aquilo que eu peço aos meus jogadores. Quero coisas sérias, responsáveis e dar o nosso máximo. E, se o nosso máximo não der para ganhar, eu vou para casa de consciência tranquila. Se o meu máximo não der para ganhar, e eu ficar em segundo, eu beijo a medalha e quem não pensa assim, está tudo certo. Já disse que eu não venho aqui para convencer, não vim para aqui para convencer ninguém. Eu vim parar aqui para fazer o melhor que eu sei, o que eu posso, com os recursos que eu tenho para ficar no Palmeiras. E quando o Palmeiras entender, eu vou continuar a ser treinador aqui ou na China, porque é disto que eu gosto, é disto que eu vivo e gosto muito, muito de estar aqui por isto mesmo, porque a valorização daquilo que nós fazemos dentro."
Alguns jovens lançados contra o Ceará: "Nós sempre o fizemos, gostei do Larson e é isso que temos feito. É um trabalho feito na formação, mas quem coloca a cabeça a prémio quando eles jogam sou eu, e este clube consegue fazer um bocadinho de tudo, é só ver os rivais que estão na parte de cima da tabela quantos apostam na formação. Nós rejuvenescemos o plantel e mesmo assim lutámos até ao fim e terminámos apenas atrás de um."