Antigo selecionador da Argentina soube sobre Messi num torneio de sub-17, na Finlândia, em que a seleção sul-americana perdeu com a Espanha
Lionel Messi, um dos melhores jogadores da história do futebol, que venceu tudo pelo Barcelona e pela seleção da Argentina, além dos vários títulos de melhor do mundo a nível individual, poderia muito bem ter tornado a Espanha ainda mais vencedora do que aquilo que foi nas últimas décadas. José Pékerman, antigo selecionador argentino que se destacou sobretudo nos escalões de formação, revelou, no Olé Summit, como roubou Messi à Espanha, após um torneio de sub-17 e em vésperas de disputar pela Rojita o Mundial de sub-20, numa história inédita e incrível que mudou a história do futebol.
"Quando me afastei da seleção, a equipa técnica continuou o seu trabalho com Tocalli. Eu fui para a Europa para continuar a minha carreira, atualizar-me e continuar a minha aprendizagem. Em Espanha, tínhamos informações sobre Lionel Messi, de um torneio sub-17 na Finlândia em que perdemos com a Espanha no prolongamento. As pessoas da equipa técnica espanhola diziam-nos que, se tivéssemos aquele rapaz do Barcelona, teríamos sido nós a vencer. Perguntei a Hugo Tocalli se ele se lembrava daquele miúdo. Disse-lhe que estava impressionado, que ele era o jogador do futuro, que não poderia enganar-me, que era a nova revelação do futebol argentino, uma bênção. Na altura, estávamos sujeitos à regra da FIFA de que, se um jogador jogasse por uma seleção juvenil, não poderia jogar por outra seleção. E estavam prontos os documentos para que Messi, que tinha 18 anos, fosse ao Mundial de sub-20 com a Espanha. Então, começou a nossa operação. Tivemos que nos apressar", começou por relatar José Pékerman.
"O Tocalli disse-me que tinha a equipa pronta para o Sul-Americano sub-20, que começava dentro de um mês. 'Como é que me dizes que agora há um rapaz?' Eu disse-lhe que não queria que ele jogasse se não fosse necessário, apenas que jogasse um amigável, que assinasse a ficha e a enviasse à FIFA. E pronto, Espanha nunca mais. Tive uma visão quando o vi, mas também tive sorte, às vezes é preciso ter um pouco de sorte. Pensei que ele seria igual ao Diego. Falei com o presidente da federação, contei-lhe, disse que ele queria vir, que era preciso enviar a convocatória para Barcelona. Disse ao Don Julio Grondona [ex-presidente da federação argentina] para procurar qualquer adversário, que o Tocalli estava a par, mas com uma condição: que o jogo fosse no campo do Argentinos, pois lá tinha jogado o Diego Maradona", prosseguiu. A gestão de Pékerman levou à realização de um particular contra o Paraguai, a 29 de junho de 2004, que a Argentina venceu por 8-0.