FC Porto

"Ideal foi o FC Porto, está visto que Nico tomou uma ótima decisão"

Nico González (Créditos: Ivan del Val)

José Ramón, ex-Corunha e tio do médio, exalta aproximação do camisola 16 à área e perspetiva época de golos

Fundamental no FC Porto de Vítor Bruno, Nico González exponenciou o capital de importância a partir do momento em que começou a surgir nas imediações da grande área dos adversários. A colocação do camisola 16 como médio mais adiantado no desenho do treinador converteu-o em peça nuclear da equipa e, ao cabo de 11 jogos em 2024/25, leva três golos marcados - mais duas assistências -, registo máximo na carreira. Na sexta-feira, no jogo-treino com o Amarante, o espanhol voltou a picar o ponto e perspetivam-lhe números mais dilatados a curto prazo.

Antigo futebolista vê o sobrinho “no melhor momento”, depois de um arranque tremido em 2023/24. Caráter competitivo vem dos tempos em que jogava com os amigos... dois anos mais velhos.

“Está mais ofensivo, toma decisões importantes no ataque, desequilibra no passe, e com uma ou duas fintas consegue concluir jogadas. Já tinha isso, mas, por tendências adquiridas no Barcelona, organizava mais atrás”, sublinha, a O JOGO, José Ramón, ex-Corunha e tio do jogador, aplaudindo a “metamorfose” de Nico sob a orientação de Vítor Bruno. “É bom no remate e tem capacidade técnica para retirar rivais do caminho. Jogando perto da área, vai ‘matar’ mais vezes e ser decisivo”, antecipa.

O arranque tremido de Nico com a camisola azul e branca, na época passada, não passou ao lado do ex-futebolista, feliz por ver o sobrinho poder exprimir toda a qualidade. “Está no melhor momento, tendo crescido a nível físico, técnico e tático. Passou mal no início, mas encheu o depósito da confiança”, afiança José Ramón, que não esconde a surpresa que sentiu ao ver o Barcelona abrir mão do internacional sub-21 por Espanha.

"Esteve bem no Valência, mas não era a equipa ideal. Ideal foi o FC Porto, tomou uma ótima decisão"

“Surpreendeu-me imenso a venda e que Xavi não contasse com ele. Tinha lugar, era o início da sucessão a Sergio Busquets, era o substituto natural... No Valência esteve bem, mas não era a equipa ideal”, expressa, sentindo que os astros se alinharam no Dragão. “Ideal foi o FC Porto. Mesmo não estando numa das ligas mais potentes, funciona como grande trampolim. Está visto que tomou uma ótima decisão, a crescer imenso e a fazer ruído”, argumenta, mesmo não fugindo ao inconveniente “de não jogar a Champions”.

O futebol, de resto, esteve sempre nos genes de Nico González. Se as visitas do pai Fran, nome marcante do “Super Depor”, à Invicta são frequentes, o tio José Ramon vai reagindo com encanto desde a Galiza ao brilho do portista, ele que também foi atacante do Corunha, conquistando uma Taça do Rei com Arsenio Iglesias. Recentemente, Nico falou da influência do meio familiar no caminho que seguiu e a vocação surgiu bem cedo. “Ele era o menino de nove anos que jogava com o primo e um conjunto de amigos, todos dois anos mais velhos. E o Nico era atrevido, com personalidade, metia medo aos mais altos e afrontava qualquer problema”, documenta, lendo a predisposição que já lhe assentava bem. “Podemos dizer que de criança já estava na forja alguém que gostava de pegar e mandar no jogo”, relata José Ramon, realçando a competitividade do 16 do FC Porto.

“Implicava-se muito no que era o resultado, doía-lhe muito a derrota. E questionava-se se tinha estado mal, era muito exigente consigo, algo que vem do pai”, expressando o desejo de ver o sobrinho com a camisola principal de “La Roja”. “Falta-lhe o último degrau, mas o momento chegará. Entende toda a metodologia de jogo de Espanha”, remata.

Pedro Cadima