Internacional

Grupos feministas indignados com Marselha: "Greenwood não foi ilibado"

Mason Greenwood (créditos: Instagram)

A contratação do extremo do Manchester United, afastado do clube em 2022 por acusações de violência sexual, mais tarde retiradas, continua a motivar críticas em Marselha

A contratação de Mason Greenwood por parte do Marselha, oficializada esta quinta-feira, continua a motivar críticas na cidade francesa, com grupos feministas a terem demonstrado indignação pela chegada ao clube de um jogador que, em 2022, foi afastado do Manchester United devido a acusações de violência sexual contra a namorada, mais tarde retiradas. 

Antes da confirmação do negócio, em declarações ao jornal La Provence, Sophie Pioro, diretora da associação Solidarité Femmes 13, revelou ter enviado uma carta a Frank McCourt, proprietário do Marselha, para lhe transmitir que a contratação do extremo inglês, de 22 anos, “seria uma vergonha” para o clube e a cidade. 

Também a Planning Familial 13, através da sua diretora Murielle Geoffroy, se mostrou indignada com o negócio com o United, que terá sido fechado em 30 milhões de euros, mais 50 por cento de uma futura venda. 

“Se a sociedade e, portanto, o futebol, agir como se estas situações de violência não existissem ou não fossem muito graves, há um risco claro de as tornar aceitáveis”, alertou. 

Por sua vez, a presidente Daniela Levy, da associação Osez le féminisme, lamentou o que considera ter sido um “mau funcionamento do sistema de justiça” inglês no caso de Greenwood, que acabou arquivado apesar da existência de vídeos nas redes sociais em que a alegada vítima mostrava ferimentos supostamente provocados pelo jogador. 

“A ausência de condenação está a ser utilizada para justificar a legitimidade da contratação. No entanto, é preciso lembrar que ele não foi ilibado”, salienta. 

De resto, a porta-voz do grupo Femmes Solidaires, Carine Delahaie, encarou com satisfação o facto de o negócio ter motivado um boicote dos adeptos do Marselha nas redes sociais, levantando também críticas do presidente daquela autarquia, Benoît Payan. 

“Apesar de ser um excelente reforço para o Marselha, muitos adeptos não o querem e dizem-no. Isso é forte”, comentou, em declarações ao jornal L’Équipe. 

Greenwood relançou a carreira em Espanha na época passada, após ter sido cedido pelo Manchester United ao Getafe, onde fez 10 golos e sete assistências em 36 jogos.

Redação