FC Porto

Custo da Academia do FC Porto na Maia já vai em 1,19 milhões de euros

Unidade de execução realizada pelo arquiteto Manuel Salgado foi apresentada numa cerimónia no Dragão (Créditos: Leonel de Castro/Global Imagens)

Sociedade portista já realizou o pagamento de mais 15% para a adjudicação definitiva dos terrenos da câmara que foram a hasta pública

Cumprindo com o que estava determinado no auto de arrematação, o FC Porto procedeu ao pagamento de mais 15% dos terrenos alienados em hasta pública pela Câmara Municipal da Maia, nos quais poderá nascer a futura academia para a formação do clube.

O prazo para o efeito expirava na terça-feira e, segundo informações recolhidas por O JOGO, a sociedade liderada por Pinto da Costa decidiu entregar os 510 mil euros correspondentes à segunda tranche, dando mais um passo no sentido da adjudicação definitiva dos 18 lotes na freguesia de Nogueira e Silva Escura. O executivo maiato terá agora no máximo 90 dias para celebrar a escritura, devendo enviar a notificação para o Dragão com uma antecedência mínima de 20 dias. Nesse momento, os azuis e brancos terão de depositar o remanescente dos 3,4 M€ propostos inicialmente, depois de até ao momento já terem pago 1,19 M€. Ou seja, 2,21 M€.

Executivo maiato terá agora 90 dias para agendar a data da escritura, altura em que os azuis e brancos terão de depositar o valor remanescente (2,21 M€). Eventual ausência levará à perda da verba já paga.

Mesmo estando a duas semanas de ser substituída, a decisão da administração da SAD cessante pode explicar-se como uma forma de manter a operação de pé antes de André Villas-Boas tomar as rédeas do processo, a partir de 28 de maio. Não cumprindo com o estipulado, o FC Porto incorria no risco de perder a totalidade do valor pago inicialmente ao município da Maia, como consta no ponto 18.3 do Programa de Procedimento da hasta pública. De resto, acontecerá o mesmo com todas as verbas entretanto entregues se decidir, sem motivo justificado, não comparecer na data prevista para a celebração do contrato de compra e venda, tal como indica na alínea 20.3 do mesmo documento.

Apesar de tudo, Villas-Boas, que até vem mantendo alguns contactos com o executivo liderado por António Silva Tiago, não está obrigado a adquirir os terrenos. O Programa de Procedimento explica que o FC Porto tem a possibilidade de ceder a sua posição contratual, mas precisa de uma autorização expressa do município da Maia. Para isso, necessitará de garantir que o pretendente está habilitado a assumir todos os direitos e obrigações decorrentes do acordo.

Só irregularidade anularia acordo

Com o dossiê de aquisição dos terrenos à Câmara da Maia já em andamento, será muito complicado para André Villas-Boas romper o acordo realizado pela SAD cessante, tal como ameaçara durante a campanha eleitoral. Pelo menos se não quiser perder os 1,19 M€ que entretanto foram depositados na conta daquele município. Para isso suceder, seria necessário ter existido uma irregularidade ao longo do processo que possa ser imputada ao executivo, o que transformaria a hasta pública num acto administrativo nulo.

Bruno Filipe Monteiro