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Ocidente culpa Moscovo por morte de Navalny, principal figura da oposição russa

Créditos: Paulo Spranger / Global Imagens

Alexei Navalny morreu esta sexta-feira numa prisão do Ártico, aos 47 anos

A morte do principal opositor russo, Alexei Navalny, esta sexta-feira numa prisão do Ártico, aos 47 anos, causou indignação no Ocidente, responsabilizando a União Europeia o “regime russo” e alguns países atribuindo ao Presidente russo, Vladimir Putin, um crime.

UE: “Regime russo” é “único responsável”

A União Europeia (UE) considera “o regime russo” o “único responsável pela trágica morte” de Alexei Navalny, declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

“Alexei Navalny lutou pelos valores da liberdade e da democracia. Pelos seus ideais, fez o sacrifício máximo”, escreveu Michel na rede social X (antigo Twitter).

NATO: Rússia “tem de responder a perguntas sérias”

A Rússia “tem de responder a perguntas sérias” sobre a morte do opositor político, declarou o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental), Jens Stoltenberg, à margem da Conferência sobre a Segurança a decorrer em Munique, na Alemanha.

ONU: ACNUDH exige “fim das perseguições” na Rússia, Guterres pede investigação

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) declarou-se “indignado” com a morte de Alexei Navalny e apelou para o “fim das perseguições” na Rússia.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu uma “investigação completa, credível e transparente” à morte do opositor ‘número um’ do Kremlin, Alexei Navalny, indicou o seu porta-voz.

“O secretário-geral está chocado com as informações sobre a morte na prisão do opositor russo Alexei Navalny (…) e apela para uma investigação completa, credível e transparente às circunstâncias” da sua morte, declarou Stéphane Dujarric.

Estados Unidos: Rússia “é responsável”

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, considerou hoje a Rússia responsável pela situação que levou à morte de Alexei Navalny, que, na sua opinião, evidencia “a fraqueza e a corrupção” do regime de Vladimir Putin.

A vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, classificou a morte do opositor russo como “mais um sinal da brutalidade” de Putin.

Canadá: Putin é “um monstro”, diz Trudeau

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, classificou o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, como “um monstro que reprimirá qualquer pessoa que lute pela liberdade do povo russo”.

Polónia: não há perdão para o Kremlin

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, escreveu hoje na rede social X: “Alexei, nunca te esqueceremos. E também nunca lhes perdoaremos”.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radoslaw Sikorski, acusou Putin de ser “responsável” pela morte da principal figura da oposição russa.

Estónia: PM condena “regime pária”

A primeira-ministra estónia, Kaja Kallas, condenou “o regime pária” russo, na sua opinião responsável pela morte de Alexei Navalny.

Letónia: Navalny “brutalmente assassinado pelo Kremlin”

O Presidente letão, Edgars Rinkevics, culpou o regime do Presidente russo, Vladimir Putin, pela morte de Navalny, hoje na prisão, aos 47 anos.

Alexei Navalny “acaba de ser brutalmente assassinado pelo Kremlin, é um facto e é algo que é necessário que se saiba sobre a verdadeira natureza do atual regime da Rússia”, escreveu Rinkevics na rede social X.

Ucrânia: Putin tem de “prestar contas” – Zelensky

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu hoje que Putin “tem de prestar contas pelos seus crimes”.

“É evidente para mim que [Alexei Navalny] foi morto, tal como milhares de outros que foram torturados até à morte por causa de uma só pessoa, Putin, que não se importa com quem morre desde que conserve o seu cargo”, declarou Zelensky em Berlim.

Alemanha: Chanceler Scholz “muito triste”

O chanceler alemão, Olaf Scholz, lamentou hoje que o principal opositor russo tenha “pagado com a vida a sua coragem”, declarando-se “muito triste”.

“É horrível que uma voz corajosa, destemida e comprometida com o seu país tenha sido silenciada por métodos terríveis”, reagiu também a ex-chanceler, Angela Merkel, afirmando-se “extremamente abalada”.

Reino Unido: Uma “imensa tragédia” para o povo russo

O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, lamentou “a imensa tragédia” que representa para o povo russo a morte de Alexei Navalny, prestando homenagem à “coragem do mais feroz defensor da democracia” na Rússia.

França: “Ira e indignação” – Macron

O Presidente da República francês, Emmanuel Macron, expressou hoje “ira e indignação” pela morte da figura de proa da oposição russa.

“Na Rússia de hoje, os espíritos livres são metidos no gulag e aí condenados à morte”, condenou Macron, numa mensagem publicada na rede social X.

Portugal: MNE português responsabiliza Putin pela morte de opositor

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, responsabilizou hoje o Presidente russo, Vladimir Putin, pela morte do opositor Alexei Navalny, assim como por muitas outras mortes, e admitiu a intensificação de sanções à Rússia.

“Temos aqui mais este caso trágico, de Alexei Navalny, uma figura de grande relevo na política russa, que teve a ousadia de desafiar Putin. Foi envenenado, esteve a recuperar durante algum tempo, quis regressar à Rússia, foi imediatamente preso e nos últimos tempos as notícias que fomos recebendo foram de prisões cada vez mais duras para Alexei Navalny, portanto é evidente que Putin é o responsável pela morte de Alexei Navalny, tal como é responsável por tantas outras mortes”, disse o governante português.

Para a mulher de Navalny, Putin deve ser punido

A mulher do principal opositor russo, cuja morte foi hoje anunciada pelas autoridades russas, defendeu hoje que Putin deve “ser punido” pelas atrocidades cometidas contra Alexei Navalny.

A partir da Alemanha, Iulia Navalnaia reagiu à notícia da morte do marido afirmando que Putin deve ser “considerado pessoalmente responsável”.

O prémio Nobel da Paz russo Dmitri Muratov condena “assassínio”

O diretor do jornal independente Novaia Gazeta, Dmitri Muratov, distinguido em 2021 com o prémio Nobel da Paz, escreveu hoje: “O assassínio foi acrescentado à sentença de Alexei Navalny”.

Muratov publicou esta declaração no seu jornal, proibido na Rússia em 2022, na sequência da invasão russa da Ucrânia.

Para o antigo campeão de xadrez russo Garry Kasparov, Putin “assassinou lenta e publicamente” Navalny

“Putin não conseguiu matar Navalny rápida e secretamente ao mandar envenená-lo e, agora, assassinou-o lenta e publicamente na prisão”, escreveu Kasparov na rede social X.

“Navalny foi morto por ter desmascarado Putin e a sua máfia como os vigaristas e os ladrões que são”, acrescentou.

O ex-deputado da oposição russa Dimitri Gudkov acusa Putin do “assassínio” de Navalny

“A morte de Alexei Navalny é um assassínio. Realizado por Putin”, declarou Gudkov nas redes sociais.

“Mesmo que Alexei tenha morrido de causas ‘naturais’, elas são consequência do seu envenenamento e, depois, da tortura na prisão”, sublinhou.

Para o escritor russo Boris Akunin, Navalny “tornou-se imortal”

“Um Alexei Navalny assassinado será uma ameaça maior para o ditador que um Alexei Navalny vivo. O ditador já não pode fazer mais nada contra Navalny. Navalny está morto e tornou-se imortal. Ele acabará por enterrar Putin”, declarou o escritor.

Boris Akunin é o pseudónimo de Grigori Chkhartishvili, um escritor nascido na Geórgia mas com cidadania russa que desde 2014 vive no exílio e foi incluído em janeiro deste ano pelo Ministério do Interior russo na lista de procurados.

Alexei Navalny, de 47 anos, morreu esta sexta-feira numa prisão do Ártico para onde tinha sido recentemente transferido para cumprir uma pena de 19 anos sob “regime especial”, segundo o serviço penitenciário federal da Rússia.

Ter-se-á sentido mal depois de uma caminhada, entrou em paragem cardiorrespiratória e os médicos da prisão e os dos serviços de socorro que acorreram à prisão não conseguiram reanimá-lo, indicou a direção do estabelecimento.

Até ao momento, a equipa de Navalny não confirmou a informação da sua morte.

Redação com Lusa