Palavras de Rodolfo Reis, antigo companheiro de Pavão nos dragões
Rodolfo Reis, antigo jogador do FC Porto, onde também desempenhou as funções de adjunto, destacou este sábado as qualidades atléticas e humanas de Pavão, falecido em campo há 50 anos.
"Foi um jogador que, não jogando os anos que deveria ter jogado devido ao infeliz acontecimento onde eu estava presente - e foi horrível -, demonstrou, naquela altura, que era um jogador de topo. Era muito difícil jogadores do FC Porto irem à Seleção e ele era um 'habitué'. Eu era um chavalo, o Pavão também não era graúdo, estava nos vinte e tais. De qualquer forma, quando subi a sénior, era ele que me dava conselhos. Chamava-me, falava, era um irmão mais velho, um capitão. Foi um jogador fabuloso, homem excecional. Foi um sofrimento muito grande no momento em que aconteceu a morte dele. Estamos aqui todos a homenageá-lo 50 anos depois, a lembrarmo-nos do que foi e do que representou para o FC Porto. Um momento de tristeza, mesmo depois de 50 anos, mas foi bom estar com os colegas, família do Pavão e convosco. A vida continua. São 50 anos e, para nós, espero que mais 50... Seria sinal de que estaríamos aqui", afirmou.
"O Pavão marcou uma época, uma época em que o FC Porto não era tão forte como é agora. Ele ajudou o FC Porto a começar a crescer. Foi um prazer partilhar isso com ele", prosseguiu.
"Confesso que nem sabia que o Pavão só tinha jogado no FC Porto como sénior. Não teve influência nesse meu dado da minha carreira, aos 30 anos não renovei com o FC Porto e simplesmente decidi parar de jogar. Não quis jogar noutro clube. Foi algo mais pessoal. Fico é contente por saber que o Pavão só jogou no FC Porto [chegou ao clube nos juniores, proveniente do Chaves]. Até nisso ele foi grandioso", rematou.
No dia 16 de dezembro de 1973, ao minuto 13 do duelo entre FC Porto e V. Setúbal, para a 13.ª ronda da I Liga, Pavão caiu inanimado no relvado do já demolido Estádio das Antas e seguiu para o Hospital de São João, no Porto, onde viria a morrer com 26 anos.