V. Guimarães

"Tenho o sonho de representar a Seleção Nacional e trabalho para chegar à Liga dos Campeões"

Jota Silva, jogador do V. Guimarães Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens

ENTREVISTA >> Jota Silva é uma das revelações da época, confirmando, aos 23 anos, os dados positivos que tinha no Casa Pia. O avançado afirmou-se rapidamente no V. Guimarães e nem parece que está há poucos meses no clube, tal é a ligação aos adeptos.

Em 2018, o avançado não ficou no Paços de Ferreira, depois de uma grande época nos Juniores A, e voltou ao Sousense, mas não desistiu e agora tem metas ambiciosas no Vitória.

A época está a corresponder às expectativas?

-Sim. É a minha primeira época na I Liga e sabia que não era fácil chegar, ver e vencer. Tenho trabalhado para isso e tenho agarrado as minhas oportunidades, além de ter um grupo que me tem ajudado, com alguns jogadores mais experientes que me transmitem coisas boas. Sinto-me melhor jogador, melhor pessoa e melhor profissional.

Até onde espera chegar?

-Tenho o sonho de representar a Seleção Nacional. Trabalho para chegar a patamares altos como a Liga dos Campeões, mas o auge da minha carreira seria chegar à Seleção. Mais do que um sonho, é um objetivo.

O seu percurso no futebol demonstra que não há impossíveis. É isso que o faz acreditar?

-Sim. Às vezes, em conversas com amigos e colegas de profissão, digo que todos os jogadores deviam passar pelos campeonatos distritais. Ali vive-se o futebol puro, aprende-se a fazer muito com pouco. Muito daquilo que sou hoje deve-se a essa passagem pelo Distrital, sempre com os pés bem assentes na terra e sem querer dar um passo maior do que a perna. Fui subindo degrau a degrau até chegar aqui. Este meu percurso faz-me acreditar que ainda posso subir mais patamares. Tenho capacidade e resta-me continuar a trabalhar, como faço todos os dias. A minha forma de trabalhar em 2019, na Divisão de Elite da AF Porto, é a mesma de agora. Foi isso que me trouxe até aqui e é desta forma que vou chegar a outros patamares.

Além da Seleção, que outros patamares pretende alcançar?

-Gosto muito da Premier League. É um campeonato apaixonante, ali qualquer equipa pode ganhar e os estádios estão sempre cheios. Gostava de jogar lá e trabalho para que isso possa acontecer.

Agora sonha com a Seleção e com a Champions. Em 2019 não ficou no Paços de Ferreira e regressou ao Sousense, na Divisão de Elite da AF Porto. Como viveu esses momentos?

-Foi um período difícil. Fiz uma boa época nos Juniores A do Paços de Ferreira, mas a equipa sénior desceu à II Liga e acabaram com a equipa B. Fiquei um pouco perdido, porque não contavam comigo para a II Liga e surgiu novamente o interesse do Sousense. Conversei com os meus pais e com pessoas que estão comigo desde o início do meu percurso e achámos melhor dar dois passos atrás. Voltei a uma casa que conhecia, a minha casa, o clube onde me formei e onde tenho um grande amor por todas as pessoas. Fiz uma grande época na Divisão de Elite e surgiu o convite do Espinho, que estava no Campeonato de Portugal. Fiz uma grande época, que acabou a meio por causa da covid-19, e depois o Leixões abriu-me as portas dos campeonatos profissionais.

Quando regressou ao Sousense, sentiu que o sonho de jogar na I Liga tinha acabado?

-Não, porque sou persistente e tenho bem vincados os objetivos para a minha carreira. Sabia que estava mais difícil cumprir o sonho de jogar na I Liga, mas também sabia que tinha de trabalhar mais do que os outros. Tinha de trabalhar o dobro ou o triplo para chegar lá. Foi isso que fui fazendo todos os anos.

Deram-lhe alguma explicação para não ficar no Paços de Ferreira?

-Não, foi tudo muito rápido. Quando fomos de férias ainda nem estava decidido que não iria haver equipa B. Não guardo nenhum ressentimento e gosto muito do clube. Quando fomos lá jogar, na primeira volta, falei com todas as pessoas e dou-me muito bem com o presidente, por quem tenho uma grande estima. É um grande clube. Aconteceu o que tinha de acontecer. Se não tivesse acontecido, se calhar agora não estaria aqui. Tudo na vida tem um propósito. A vida dá-nos sempre desafios e temos de ser corajosos a lidar com eles e ultrapassá-los. Se calhar, o mais fácil era desistir e ficar pelos distritais, mas sou persistente e determinado.

Manuel Casaca