Jogadores estão divididos, com um grupo de elementos mais antigos na equipa revoltados com atitudes de alguns brasileiros que chegaram este ano.
A carreira do Santa Clara esta época tem sido marcada por agitação interna, com o grupo de trabalho dividido e em crescente ebulição. De um lado há o núcleo duro do balneário, composto pelos jogadores mais antigos da casa, enquanto do outro figuram vários futebolistas brasileiros que chegaram no último verão, elevando para 13 o número de atletas do plantel desta nacionalidade. Ora, segundo dados apurados por O JOGO, os primeiros têm demonstrado revolta face à atitude competitiva dos segundos, o que tem conduzido a uma situação de grande turbulência no seio da equipa.
Além disso, o grupo mais enraizado no clube sente que existe um tratamento diferenciado por parte da Administração da SAD, cuja cúpula é formada por dirigentes brasileiros, face aos jogadores da mesma nacionalidade que nos últimos meses chegaram aos Açores pela sua mão. Em plena competição, houve elementos que infringiram os regulamentos disciplinares do plantel, designadamente com saídas noturnas, e não foram punidos exemplarmente pelos administradores.
O desagrado dos jogadores diz ainda respeito à saída de elementos experientes e familiarizados com o Santa Clara, como o team manager Marco Santos, o treinador de guarda-redes José Serrão e o técnico adjunto Tiago Sousa, este último em divergência com o CEO Klauss Câmara. Os lugares dos dois primeiros são agora ocupados por elementos brasileiros da confiança do presidente Bruno Vicintin.
Os últimos resultados, na Taça da Liga, em que foi promovida a rotatividade na equipa, provam que algo não corre bem nos Açores, registando-se uma quebra visível no rendimento coletivo, com alguns dos jogadores habitualmente menos utilizados a não apresentarem o mesmo nível daqueles que contribuíram de forma decisiva para a conquista de oito pontos nas quatro jornadas que antecederam a pausa do Campeonato para o Mundial do Catar.
Com a reabertura do mercado à porta, os adeptos e membros do plantel também torcem o nariz à possível entrada de novos jogadores brasileiros, igualmente muito jovens e sem grande experiência. O último nome apontado ao Santa Clara foi Mateus Sarará, jogador de 20 anos que na última época fez apenas oito jogos pelo despromovido Avaí.