Mundial 2022

Fé nas cabalas e em Messi: na Argentina, há quem veja sinais em todo o lado

. AFP

Na Argentina todos acreditam que o ansiado título não vai fugir. E não é só pela qualidade de La Pulga.

Ainda antes de começar o Campeonato do Mundo do Catar, a Argentina já era apontada como uma das maiores, se não mesmo a maior, favorita a vencer o torneio. Contudo, uma derrota logo a abrir o torneio, diante da Arábia Saudita, fez esfriar os ânimos e colocou um ponto final numa invencibilidade que estava a um jogo do recorde mundial da Itália.

Mas a Alviceleste recompôs-se do golpe sofrido e com maiores ou menores dificuldades chegou à final de amanhã, conseguindo até na semifinal, frente à Croácia, obter a vitória mais folgada na competição: 3-0.

Empurrada por uma fervorosa e numerosa claque de adeptos em todos os jogos e contando em campo com a liderança e o génio de Messi - a realizar aos 35 anos o melhor Mundial da carreira -, a Argentina cresceu como equipa à medida que Scaloni foi fazendo correções, nomeadamente dando a titularidade ao benfiquista Enzo Fernández e ao seu ex-colega do River Plate, Julian Álvarez, agora no City, que têm sido dois fiéis escudeiros de La Pulga.

Sem levantar o troféu desde 1986, quando Maradona era a figura maior da equipa e conquistou o estatuto inigualável entre os argentinos que, carinhosamente, o tratavam também por Diós, após a famosa "Mão de Deus" à Inglaterra, a Argentina acredita que é desta que o jejum vai terminar e depois de duas finais perdidas: em 1990, ainda com Maradona como líder em campo, e em 2014, já com Messi a capitanear com a "10" vestida.

As muitas razões da crença

Conhecidos por serem supersticiosos, os argentinos têm encontrado nos últimos dias inúmeras cabalas para demonstrar que as desilusões passadas não se irão repetir e que a França, atual campeã mundial e candidata a um feito apenas alcançado pelo Brasil, será derrotada.

Como pode ler aqui ao lado em detalhe, são várias as coincidências de que os sul-americanos têm falado nos últimos dias para verem amanhã os "astros todos alinhados" no Estádio Lusail. Desde a camisola tradicional que será a utilizada, passando pelos números idênticos de Maradona e Messi, o regresso do talismã Di María, o facto de o árbitro de amanhã ter nascido no mesmo dia que o da final de 1986 ou ainda a maldição do Bola de Ouro que nunca levantou o troféu e Benzema, mesmo sem ter jogado, faz parte do grupo francês.

Mas poderíamos ainda acrescentar outras. Por exemplo: Canadá e Marrocos só coincidiram num Mundial, o de 1986, o único em que a seleção africana tinha ultrapassado a fase de grupos até ao Catar'2022. No México'1986, os africanos foram também carrascos de Portugal, na fase de grupos e agora nos quartos de final, tendo, depois, caído frente ao futuro finalista vencido, a República Federal da Alemanha (RFA). Desta vez, Marrocos perdeu nas meias-finais com a... França.

Coincidências

Camisola alviceleste como em 1978 e 1986

A Argentina vai disputar a final de amanhã com a sua camisola tradicional alviceleste, a mesma que utilizou nas finais ganhas de 1978 e 1986. Em 1990 e 2014 perdeu as decisões do Campeonato do Mundo jogando com a camisola alternativa, a azul.

Messi como Maradona em número de golos

No título de 1986, a Argentina era liderada pelo capitão Maradona e 32 anos depois tem Messi como capitão e figura principal, ele que é um digno sucessor de El Pibe. No Mundial do México, Maradona carregou a Alviceleste até ao jogo decisivo marcando cinco golos e fazendo quatro assistências nas seis partidas antes da final. No Catar, Messi soma igual número de golos e apenas menos uma assistência em seis jogos.

Di María é talismã das finais e está recuperado para jogar

Di María marcou os golos dos triunfos (ambos por 1-0) nos Jogos Olímpicos'2008 e na Copa América'2021 e assinou ainda um tento na vitória (3-0) na Taça Finalíssima frente à Itália, jogo que opôs em junho passado os campeões sul-americano e europeu. No Mundial'2014, o atual jogador da Juventus lesionou-se na partida dos quartos de final frente à Bélgica e já não voltou a jogar na prova. No Catar, Di María, a contas com problemas físicos, perdeu os jogos dos oitavos e meias-finais, mas está apto para a decisão.

Árbitro nascido no mesmo dia que o da final do México'1986

Szymon Marciniak, árbitro polaco nomeado para dirigir a final de domingo nasceu no dia 7 de janeiro (de 1981). Curiosamente, Romualdo Arppi Filho, juiz brasileiro que dirigiu a final de 1986 ganha pelos argentinos frente à RFA, também nasceu a 7 de janeiro, mas de 1939.

A maldição do Bola de Ouro que nunca venceu o Mundial

Nunca foi campeão do mundo o jogador que chegou ao Mundial premiado com a Bola de Ouro. Embora não tenha jogado pela França, devido a lesão, Benzema foi galardoado já este ano com o prémio e pode até ser utilizado amanhã se Deschamps assim o entender. No passado, cinco jogadores foram finalistas do Campeonato do Mundo após receberem o prémio e perderam o jogo decisivo: Ronaldo (Brasil) em 1998, Roberto Baggio (Itália) em 1994, Rummenigge (RFA) em 1982, Cruyff (Países Baixos) em 1974 e Rivera (Itália) em 1970. A "maldição" também já afetou lusos: Eusébio, que chegou ao Inglaterra'1966 como Bola de Ouro e "só" atingiu o terceiro lugar, e Cristiano Ronaldo que foi para os Mundiais de 2014 e 2018 como último vencedor do prémio da France Football.

António Pires