Mundial 2022

De um campo de refugiados ao primeiro golo do Canadá num Mundial

Alphonso Davies AFP

Nascido num campo de refugiados no Gana, Alphonso Davies rumou ao Canadá com cinco anos, fugindo da II Guerra Civil na Libéria, e fez o 1-0 à Croácia.

"O mais talentoso jogador do Canadá", como descreveram os responsáveis técnicos do Vancouver Whitecaps quando o Bayern Munique o detetou em 2018, estonteou a Croácia ao segundo minuto de jogo e marcou o primeiro golo do país em Mundiais.

À segunda participação, após as três derrotas encaixadas no México em 1986, a seleção da América do Norte celebrou um tento por um dos jogadores mais rápidos da Bundesliga e que no conjunto nacional é extremo e não lateral.

A história do herói teve uma fachada primária de vilão, pois viu Courtois defender-lhe um penálti na 1.ª jornada do Grupo F. O peso do momento sentiu-se na marca de 11 metros, mas não foi transportado para o embate decisivo com a Croácia. Acelerou para, de cabeça, imagine-se só, fazer o golo histórico.

Simbólico para o jovem talento cujo inglês ainda não é perfeito, sendo cheio de preciosismos africanos. Tal como a sua história de vida. Nasceu num campo de refugiados, no Gana, numa altura em que a Libéria vivia a sua II Guerra Civil, que decorreu de 1999 a 2003, gerando 50 mil mortos e mais de 500 mil refugiados.

Os pais, que moravam na capital Monróvia, levariam o pequeno Alphonso para o Canadá aos 5 anos. Já na altura gostava de brincar com a bola, o que era surpresa no Canadá, na altura, face ao apetite pelo hóquei no gelo como modalidade dominante.

O talento e alguma lata foram permitindo que o ajudassem, alinhando em torneios e equipas de futebol infantis que não cobrassem pelos equipamentos ou pela inscrição em provas. Representou a cidade que o acolheu, Edmonton, em vários torneios e daí foi entrando no radar das escolas desportivas.

Com 14 anos foi morar para a residência dos Whitecaps FC. Aos 15 anos e três meses tornou-se o mais novo de sempre a assinar contrato na United Soccer League e seria o segundo mais novo de sempre a alinhar na MLS, depois de Freddy Adu.

Aos 17 anos iniciou o trajeto na seleção que também é de Eustáquio (FC Porto) e hoje, aos 22, marcou o lugar na eternidade.

A Croácia conseguiu depois a recuperação, com dois golos ainda na primeira parte, por Kramaric e Livaja, indo para intervalo a ganhar.

Frederico Bártolo