DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
Pelo que leio, Rúben Amorim vai insistir na teimosia de ter apenas um 9 efectivo, Paulinho, e outro a aprender com ele, Rodrigo Ribeiro. Tudo o mais, ali à frente, serão extremos sibilinos, desdobrando-se em coreografias indecifráveis no último terço do relvado, para tirar o norte às defesas adversárias.
Ora, se analisarmos a época passada, podemos com razoabilidade sustentar que esse terá sido o maior erro do nosso treinador, tanto que em janeiro, atabalhoadamente, nos socorremos de um Slimani fora de prazo para fazer concorrência ao matador de Barcelos.
A ideia de Amorim, porém, mantém-se. Talvez ele sinta que o erro não está no seu plano e, assim, prefira mudar a realidade. Falta-nos é saber como. Para já, não podemos fazer muito mais do que conjeturar. Eu confesso que não tenho grandes pistas. E, embora imagine que ainda vá haver algumas entradas e saídas, não me parece que no leque de extremos cogitados para a próxima temporada - Pote, Edwards, Tabata, Issahako, Catamo, Trincão e Paulinho (Bayer Leverkusen) - haja quem disfarce como o já saudoso Sarabia a carência de homens-golo.
Dir-se-á que Pote tem essa capacidade, e ele mesmo o provou há duas épocas, mas não sabemos ainda que versão de Pote se apresentará ao trabalho num ano de exigência com medida fixa: resgatar o título. De Rúben Amorim espera-se que potencie os argumentos técnico-táticos da equipa e a reforce a nível de mentalidade, pois foi aí que ela fraquejou.
Então, não basta alimentar e comprar serpentes mágicas, é preciso cuidar de que não falte gente de ferro, campeões mentais como Palhinha, que crescem acima das adversidades. Mas Palhinha, ao que se tem dito, vai embora. Menos um bloco de gelo, um esteio, uma âncora. E não é justo pedir a Essugo que o substitua. Sobra Ugarte, em quem se pode confiar a 100%.
Da mesma têmpera temos Porro, Coates, Inácio, Adán e pouco mais. Mas para Amorim haverá sempre o benefício da dúvida: se ele acha que craques como Matheus Nunes, Bragança ou Pote vão estar mais fortes psicologicamente a ponto de se tornarem guardiões da firmeza da equipa nos momentos decisivos, então acreditemos. Eu, mesmo torcendo o nariz à solidão de Paulinho, acredito.