PCP diz sessão com Zelensky contraria papel do parlamento de "defesa da paz"
A porta-voz da conferência de líderes, a socialista Maria da Luz Rosinha, contrariou a versão do PAN, adiantando que a proposta de sessão parlamentar por videoconferência com o Presidente da Ucrânia teve hoje a oposição do PCP.
Antes, enquanto ainda decorria a reunião da conferência de líderes, o PAN, em comunicado, reivindicou a autoria da iniciativa de endereçar um convite a Volodymyr Zelenky para discursar perante a Assembleia da República por videoconferência e adiantou que essa sua proposta tinha sido aprovada por unanimidade, o que se revelou falso.
Perante os jornalistas, a porta-voz da conferência de líderes referiu que o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, irá contactar o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, para que seja endereçado um convite formal ao Presidente Volodymyr Zelensly para discursar perante o parlamento português.
"A decisão foi tomada por maioria, com a oposição do PCP. A data em que acontecerá essa sessão ficou dependente do convidado", Volodymyr Zelensky, apontou Maria da Luz Rosinha, adiantando que a expectativa é que a intervenção do Presidente ucraniano aconteça na semana entre 18 e 22 deste mês.
Momentos depois, a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, assumiu a responsabilidade pela difusão de informação errada sobre a posição do PCP em relação à sessão de boas-vindas com o Presidente da Ucrânia.
"Para nós, não ficou claro que tivesse havido essa posição [do PCP]. De qualquer das formas foi esclarecida a posição, e a proposta foi aprovada por maioria e não por unanimidade. Evidentemente, lamentamos o lapso na informação que veiculámos em relação à posição do PCP e que foi única e exclusivamente da nossa responsabilidade", declarou Inês de Sousa Real.
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, defendeu que é importante que "a casa da democracia portuguesa seja solidária com o povo ucraniano".
"Não há melhor forma de demonstrar essa solidariedade do que com a presença, mesmo que por videoconferência, do presidente Zelensky no parlamento português", sustentou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.
Pouco depois, o presidente da bancada da Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva, também se congratulou a iniciativa de se organizar uma sessão com o Presidente da República da Ucrânia.
"Essa iniciativa mereceu o nosso total apoio e concordância. Agora, que se iniciem os procedimentos para que ocorra logo que o Presidente da Ucrânia possa estar connosco em sessão. Temos uma especial ligação com Volodymyr Zelensky, porque o seu partido pertence à nossa família política europeia", acrescentou.
PCP diz sessão com Zelensky contraria papel do parlamento de "defesa da paz"
A líder parlamentar do PCP considerou hoje que a proposta de sessão parlamentar com o Presidente ucraniano contraria o papel da Assembleia da República "em defesa da paz", justificando assim a oposição do seu partido à iniciativa.
"A Assembleia da República, enquanto órgão de soberania, não deve ter um papel para contribuir para a confrontação, para o conflito, para a corrida aos armamentos. O seu papel deve ser exatamente o oposto. O papel da Assembleia da República deve ser um papel em defesa da paz", sustentou Paula Santos, em declarações aos jornalistas nos Passos Perdidos, no parlamento..
A deputada comunista considerou que "a proposta que está em cima da mesa não vai ao encontro" desse propósito. "Daí o PCP não ter acompanhado esta mesma proposta, não vai ao encontro do objetivo de defender a paz, de procurar uma solução negociada", sustentou.
Paula Santos acrescentou que a "realização de sessões com intervenção de chefes de Estado na Assembleia da República, ao longo dos últimos anos, têm sido muito limitadas" e ocorrem sempre na sequência de visitas institucionais ao país, o que "neste caso concreto não ocorre".
A conferência de líderes parlamentares aprovou hoje, com oposição do PCP, uma sessão solene com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, por videoconferência.