Opinião

Balneário do Sporting deve ser caso de estudo: não consta que haja alguém descontente

DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz

O balneário do Sporting e a gestão de Rúben Amorim devem mesmo ser um caso de estudo no futebol português. Não consta que haja ali ninguém descontente.

Situações de indisciplina, nem vê-las, e a cada entrevista que se faz a um jogador fica clara a importância quer do treinador quer do ambiente que se vive no grupo.

Se olharmos posição a posição, concluímos que todos têm a sua oportunidade. E, mesmo que não a agarrem de imediato, voltam a tê-la, porque Amorim não deixa cair uma única peça do puzzle com que espera ser novamente campeão. O plantel é curto, sabemo-lo bem, mas a mescla entre futebolistas de posição definida e polivalentes vai permitindo que os resultados continuem a aparecer independentemente de quem calça.

Veja-se o exemplo de Matheus Reis, candidato natural a ser patinho feio pelo legado inatingível que Nuno Mendes deixou. A verdade é que o ex-Rio Ave tem crescido, fruto do seu trabalho, claro, mas também da inteligência com que o treinador o utiliza e potencia, ora colocando-o na ala esquerda ora desviando-o para o lugar ao lado no eixo central, consoante as necessidades e a obrigatoriedade de gerir a condição física de Feddal, de quem Amorim nunca prescinde para os grandes jogos.

Ora, abre-se uma casa e, de uma assentada, dá-se continuidade, horizonte táctico e protagonismo a dois actores inicialmente vistos como secundários, porque Nuno Santos espreita de seguida a vaga no corredor, a partir de trás, e alarga assim as suas competências, enquanto Vinagre aprende de fora e trabalha para não voltar a falhar na hora em que for chamado.

Mesmo ao meio, onde a dupla Palhinha-Matheus Nunes parece intocável, Bragança e Ugarte vão-se aproximando passo a passo de lutar com eles de igual para igual. A concorrência saudável mostra-se também na frente, e aí é de se olhar para Tabata, que começou a época testado como médio centro, deu muito boa conta do recado, depois desapareceu, em parte devido a problemas físicos, e agora ressurge enquanto extremo, mordendo os calcanhares a Sarabia, que assim fica mais próximo de perceber que ou ganha andamento ou perde o lugar.

Mas, no meio disto, todos os futebolistas parecem dar-se de abraço: eles brincam, eles aplicam-se, eles transmitem a alegria de fazerem aquilo de que gostam. E, claro, crescem. Crescem a pontos incalculáveis há bem pouco tempo. Basta ver que Matheus Nunes, Palhinha, Ugarte, Coates, Feddal, Porro, Adán, Neto, Paulinho, Pote e Sarabia são internacionais A pelos seus países, e que na calha para se juntar a eles está, pelo menos, Inácio, com Bragança, TT e o próprio Tabata a poderem alimentar esperanças de lhes seguir as pisadas.

Há claramente um Sporting antes de Rúben Amorim e um Sporting depois dele. Só espero que os tubarões europeus não o levem tão cedo.

Marcos Cruz