DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
No sítio onde eu vejo o Sporting, que é o Café Marinho"s, as opiniões divergem.
O sr. Adelino acha que podíamos ter goleado, o sr. Santos diz que já é bom não termos permitido nada ao Guimarães, o sr. Salgado limita-se a comentar jogadores: critica o momento de forma do Pote e entende que o Coates devia dar um workshop de golos ao Paulinho.
No meio disto, um grande amigo meu, o André Gil Mata, partilha comigo que muito melhor do que o jogo de futebol é assistir aos comentários dos outros. E assim vamos. Mais uma jornada, mais uma vitória. Curto para muitos, como eu, que gostam de ir para cima dos adversários e avolumar os resultados, suficiente para alguns, que só veem números em cima da relva. A verdade é uma: precisávamos de ganhar e apareceu Coates, o suspeito do costume, um patrão defensivo que está apostado em estender a sua influência a todo o terreno de jogo.
Se na época passada era justo pô-lo ao nível de Pepe, este ano ele já disparou para longe e é, a quilómetros, o melhor central da Liga, como Palhinha não tem quem dispute com ele o estatuto de rei dos médios defensivos. Então, por que raio o Sporting nunca se liberta dos oponentes de forma categórica, sem apelo nem agravo? O problema reside essencialmente na frente, onde Pote mostra ser uma sombra do que foi até final da época passada, Sarabia parece conformado com a bitola por que se regia Vietto e Paulinho, meu Deus, Paulinho desaparece como a areia de uma ampulheta a cada jogo que passa. A defesa tem cumprido a sua missão, está cada vez mais focada e dá indícios de querer tornar-se intransponível, o que é meio caminho andado para somar vitórias.
Apesar disto, não posso deixar de dizer que Porro terá feito ontem uma das suas piores exibições de leão ao peito, com muitos passes falhados e uma timidez que se lhe desconhecia. O meio-campo recomenda-se: Palhinha vale por dois, impondo o físico e a qualidade num latifúndio, e Matheus Nunes alterna muitos momentos de excelência, em que parece um cavalo a devorar metros, com um ou outro de paragem cerebral, mas nada que o amadurecimento não resolva. É justo, também, que aqui realce a exibição segura de Matheus Reis, que, não sendo um Nuno Mendes, revela competência quer a defender quer a atacar. E foi uma vitória limpinha, sem hipótese de contestação. Ainda assim, gostava que Rúben Amorim usasse o rolo compressor - não me conformo com a ideia de que, estando a ganhar, temos de defender o resultado. Há ainda uma passagem de nível à nossa frente e estou à espera de que a encaremos com vontade.