Tóquio acolheu a edição mais equilibrada de sempre, mas, em termos competitivos, o domínio feminino foi avassalador.
Proclamados como os mais equilibrados da história, com 49 por cento dos 11 mil atletas a serem mulheres, havendo um porta-estandarte de cada género nas cerimónias e mais nove eventos mistos em relação ao Rio"2016 (total de 18 agora), os Jogos de Tóquio foram mais além e podem ser recordados pelo domínio feminino na hora de escolher as principais figuras.
No top 10 individual de medalhas há oito mulheres e entre elas só os nadadores Caeleb Dressel e Duncan Scott se conseguiram intrometer.
Após a era de Michael Phelps e Usain Bolt, e sem Simone Biles a cem por cento, outros nomes estiveram à altura para ficarem eternizados. Abdicando de lutar pelo recorde de seis ouros numa só edição por questões de saúde mental - conquistou uma prata e um bronze nas provas que fez -, a ginasta norte-americana foi "rendida" pela compatriota Sunisa Lee, de 18 anos e que sai do Japão com três pódios (ouro no all-around, prata por equipas e bronze nas paralelas assimétricas).
Os Estados Unidos tiveram sempre dificuldades em impôr-se no medalheiro, mas não foi por Allyson Felix nem por Sydney McLaughlin. As duas, com Dalilah Muhammad e Athing Mu, conquistaram o ouro na estafeta 4x400 para coroar campanhas extraordinárias: Felix chegou à 11.ª medalha em Jogos Olímpicos, reforçando o estatuto de mulher mais medalhada da história e estando, a nível geral, apenas atrás de Paavo Nurmi, depois de ter superado Carl Lewis; McLaughlin já tinha sido campeã nos 400 barreiras, em 51,46 segundos, retirando quase meio segundo o anterior máximo mundial, que lhe pertencia (51,90 em junho).
Na natação, Katie Ledecky também chegou à dezena de pódios olímpicos, juntando ao currículo mais dois ouros (800 e 1500 livres) e duas pratas (400 livres e 4x200 livres), sendo de longe a mulher mais medalhada da natação. Mas esta edição teve a australiana Emma McKeon no centro das atenções, com quatro ouros (50, 100 livres, estafeta 4x100 livres e 4x100 estilos) e três bronzes (100 mariposa, 4x200 livres e 4x100 livres mistos). Na canoagem, Lisa Carrington fez o "tri" em K1 200 e ainda triunfou em K2 500 e K1 500, sendo a olímpica neozelandesa mais bem-sucedida de sempre. No final, usou o trocadilho "GOAT in a boat" ("Melhor de sempre num barco").