Opinião

Oxalá ninguém tenha ido a sevilha. Oxalá apoiem à distância. A Seleção compreende

Oxalá ninguém tenha ido apoiar a Seleção a Sevilha. Oxalá todos a apoiem à distância. A Seleção compreende todo o género de apoio.

Tenho a certeza que parecerá muito pouco popular, da minha parte, desejar que nenhum português se tenha deslocado hoje a Sevilha para apoiar a Seleção.

Acredito que parecerá ainda menos agradável saberem-me na expectativa de que, mesmo não indo de Lisboa, cercada por óbvias medidas sanitárias, nenhum se deslocou à cidade espanhola por solidariedade para com o esforço face à pandemia, para que o País reabra em definitivo. E seria maravilhoso se, a seguir, não me insultassem por alegada falta de patriotismo ao lerem que adorava ver vazios todos os cerca de dois mil lugares destinados aos adeptos portugueses. E que nenhum comprasse os ingressos disponíveis - mais alguns milhares - para o público em geral.

Ficam aqui expressas as minhas vontades e a minha ponderação sobre um Europeu onde quero ver aquele Portugal brilhar de novo e sobre este Portugal onde quero voltar a viver, sem laivos de irresponsabilidade política como a da segunda figura da Nação, que apelou à ida massiva de adeptos portugueses até Sevilha. Ou, também, da irresponsabilidade cívica de cada um de nós.

Sou dos que acha que esta Seleção tem a estaleca necessária para compreender o confinamento dos seus compatriotas, para compreender o esforço que é necessário para libertar a economia e acabar com o atraso em setores de atividade que necessitarão de apoios à retoma. Apoios esses que teremos de pagar, mais dia, menos dia. Olhe-se para o Turismo, a entrar em pânico, agora que até os alemães nos colocaram na sua lista vermelha. Adeus, Verão. E tudo por causa de uns laivos de Primavera sofregamente convividos.

Transpondo isso para a economia desportiva, imaginem o que vai na alma dos gestores de cada emblema, que já estavam a contar com alguns milhares de adeptos nas bancadas e, por consequência, muitos milhares de euros nos seus depauperados cofres... O regresso do público aos estádios e pavilhões volta a ser uma incógnita.

António Barroso