Covid-19

Propagação do vírus dispara nos Estados Unidos após Dia de Ação de Graças

Pelo menos 1,1 milhões de pessoas voaram para os Estados Unidos na véspera do feriado de Ação de Graças AFP

Dia de Ação de Graças, celebrado a 26 de novembro, é um feriado celebrado sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá.

Um número significativo de norte-americanos estão a ficar infetados com o coronavírus depois de terem celebrado em novembro o Dia de Ação de Graça fora das suas casas, noticia esta sexta-feira a agência noticiosa AP

"Muitos norte-americanos estão agora a pagar o preço pelo que fizeram no Dia de Ação de Graças e a adoecer com covid-19. As autoridades de saúde dos Estados Unidos estão a alertar as pessoas - implorando até mesmo - para não cometerem o mesmo erro durante a temporada de Natal e Ano Novo", adianta a AP, que fala em eventuais consequências e tomadas de posição políticas na Casa Branca.

O Dia de Ação de Graças, celebrado a 26 de novembro, é um feriado celebrado sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá, sendo um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

"Regista-se um crescimento acima do aumento previsto", declarou Ali Mokdad, professor de ciências métricas de saúde da Universidade de Washington em Seattle.

"Honestamente, é um sinal de alerta para todos nós", avisou.

Em todo os EUA, investigadores que rastreiam contactos e médicos de emergência estão a constatar que os novos pacientes com coronavírus socializaram durante o Dia de Ação de Graças com pessoas fora das suas residências, apesar das advertências e alertas de saúde pública para que ficassem em casa e mantivessem a distância em relação a terceiros.

O vírus estava a espalhar-se por todo o país antes mesmo do Dia de Ação de Graças, mas mostrava alguns sinais de redução.

Desde o Dia da Ação de Graças, o vírus ganhou força, com novos casos por dia a subir regularmente para mais de 200 mil infeções.

Esta perspectiva sombria surge quando os Estados Unidos estão à beira de uma grande campanha de vacinação contra covid-19, com a Food and Drug Administration (FDA) - que regula a industria farmacêutica - a dar "luz verde", a qualquer momento, para utilização da vacina da Pfizer contra o flagelo que já matou 290 mil norte-americanos e infectaram mais de 15,6 milhões de pessoas.

Na sexta-feira, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, pressionou o chefe da FDA, Stephen Hahn, a conceder autorização até o final do dia ou enfrentaria uma possível demissão, segundo revelaram à AP dois funcionários do governo, que pediram anonimato.

O presidente norte-americano em exercício, Donald Trump, mostra-se "furioso" com o FDA por esta não ter agido com mais rapidez na vacina, apelidando a agência de "tartaruga grande, velha e lenta" no Twitter, escrevendo ainda: "Tire as vacinas da cerca AGORA, Dr. Hahn. Pare de fazer jogos e comece a salvar vidas".

Hahn justificara anteriormente que seria guiado pela "ciência, não pela política".

As mortes por covid-19 nos EUA subiram para uma média de quase 2.260 por dia em apenas uma semana, quase igual ao pico alcançado em meados de abril, quando a área da cidade de Nova Iorque estava em confinamento.

Novos casos estão a ocorrer com cerca de 195 mil casos ativos por dia, um aumento de 16% em relação ao dia anterior ao Dia de Ação de Graças, segundo uma análise da AP

No Estado de Washington, os investigadores que fazem o rastreio de contatos/contágios contabilizaram pelo menos 336 pessoas com teste positivo que admitiram ter participado de reuniões ou viajado durante o fim de semana de Ação de Graças.

Assim, mais são esperados, segundo os especialistas, uma vez que o vírus ainda pode estar incubando em alguém que foi exposto enquanto viajava para casa no domingo, após o Dia de Ação de Graças (26 de novembro), tendo em conta que o final desse período de incubação de duas semanas só termina no próximo domingo.

A situação preocupante que se assiste nos EUA não deveria surpreender ninguém depois de, em 29 de novembro, o epidemiologista norte-americano Anthony Fauci ter alertado para um forte aumento do número de contaminações por covid-19, após o feriado de Ação de Graças, marcado pelo movimento de milhões de pessoas em todo o país.

"Em duas ou três semanas, poderemos assistir a uma explosão de casos" de novas contaminações por coronavírus, alertou o diretor do instituto norte-americano de Alergias e Doenças Infeciosas, Anthony Fauci, disse, na altura, ao canal de televisão ABC.

Segundo a agência de notícias AFP, pelo menos 1,1 milhões de pessoas voaram para os Estados Unidos na véspera do feriado de Ação de Graças, um recorde desde que a pandemia chegou ao país em março, de acordo com dados da agência TSA, responsável pelas verificações de segurança nos aeroportos.

"Este fim de semana, com todas aquelas viagens, é realmente preocupante para nós", disse então o secretário adjunto da Saúde, Brett Giroir, em afirmações à CNN, numa declaração que se revelou premonitória.

Redação com Lusa