JOGO FINAL - Um artigo de opinião de Jorge Maia.
Como dizia alguém, o futuro é um lugar muito importante porque, afinal, é lá que vamos passar o resto das nossas vidas.
Ora, no dia em que a maior parte das equipas da I Liga voltam aos treinos, preparando a retoma da competição agendada para o final do mês, Fernando Gomes avança com uma reflexão necessária sobre o futuro do futebol português. Aliás, se a covid-19 teve algum efeito positivo foi precisamente o de tornar impossível continuar a adiar essa reflexão. De resto, o diagnóstico já estava feito há algum tempo e os caminhos que Fernando Gomes aponta, sendo sensatos e razoáveis, não são propriamente originais ou revolucionários.
Combater o profissionalismo encapotado ou os projetos oportunistas que desprotegem jogadores e técnicos, apostar de forma sustentada na formação, defender a qualidade técnica do jogo aumentando o tempo útil e diminuindo as faltas, diversificar as fontes de receita através da negociação inteligente e distribuição equilibrada dos direitos televisivos e evitar que a violência verbal contribua para a erosão da credibilidade do produto são remédios muitas vezes prescritos, mas cuja toma o futebol português foi adiando enquanto o contexto o permitiu. Pois bem, o contexto mudou.
O vírus encontrou no futebol um hospedeiro imunodeprimido que não pode continuar a adiar o tratamento se quiser evitar um mal maior. A questão, claro, é saber se toda a gente vai perceber a urgência da situação e a necessidade de garantir imunidade de grupo, ou se os egoísmos de sempre vão reduzir a discussão ao proverbial "cada um por si, e fé em Deus".