Desde que a Liga Europa existe que Portugal não saía da cena uefeira sem ter equipas nos oitavos de final, mas este é um tempo de festejos domésticos
De uma assentada, as quatro equipas portuguesas foram apeadas nos dezasseis avos da segunda divisão europeia. A ronda tinha tudo para ser de glória. Três derrotas tangenciais com golos marcados fora, uma vitória folgadita em casa, tudo coisas para se arrumarem com prudência e competência, mas viu-se exatamente o contrário: vontade misturada com ansiedade e pouca lucidez, além de confrangedora incapacidade para esconder as fraquezas e potenciar as virtudes. Faltou classe a este futebol português das mil desculpas e discussões sem sentido.
Depois de conquistado o desígnio nacional de apurar mais uma equipa a entrar direta e uma terceira nas pré-eliminatórias da Champions a partir da próxima época, com efeito prático em 2021/22, eram quatro os caminhantes à procura da notoriedade, da fuga à bipolarização nacional, de expandir fronteiras. O sorteio nem foi muito severo, exceção feita para o FC Porto, e mesmo essa tem o que se lhe diga, porque uma equipa que se reclama de Champions não pode - não deve! - queixar-se nos "dezasseis avos" da Liga Europa. O resultado global está à vista. Uma tristeza aumentada ao constatar-se que depois de o FC Porto vencer a última edição da Taça UEFA e nascer a Liga Europa, em 2003/04, Portugal teve sempre pelo menos um representante nos oitavos de final de uma das provas.
Passada esta frustrante jornada, lambidas as feridas, Portugal volta a focar-se no caminho até aos festejos domésticos. O futebol português cabe entre a Avenida dos Aliados e a Praça do Marquês do Pombal. Uma sala de festas vai encher.