Andebol

"No pavilhão, 99 por cento das pessoas não acreditavam que seria possível"

Tiago Rocha, capitão da Seleção de andebol, em entrevista a O JOGO José Carmo / Global Imagens

ENTREVISTA - Tiago Rocha, capitão da Seleção de andebol, visitou a redação de O JOGO e mostrou-se pronto para a sua estreia no Europeu, o primeiro de Portugal desde 2006

Tiago Rocha, aos 34 anos, vive um sonho, que começa já no dia 10 quando entrar em campo frente a França.

Foi ao Europeu em 2006 mas não jogou. Conte como foi.

-Fiz o estágio de preparação com a Seleção A, mas fiquei fora do lote de jogadores no final do ano. No início do estágio de janeiro, o Carlos Galambas lesionou-se e eu voltei a integrar o estágio, depois ele recuperou a tempo do Europeu, mas no segundo jogo voltou a lesionar-se e fui chamado à Suíça. Depois, o Álvaro Rodrigues magoou-se e, como só podiam inscrever um jogador, foi inscrito o Bogas e eu não cheguei a jogar.

Vai ser a sua primeira vez...

-Sim. É frustrante nunca ter conseguido. Vou realizar esse sonho, espero chegar a dia 10 em boas condições.

O selecionador disse que queria melhorar o sétimo lugar do Europeu da Croácia. É realista?

-Não seria a primeira vez que Portugal conseguia ganhar a uma grande seleção. Sabemos que é difícil, mas se não formos nós a acreditar, mais ninguém acredita em nós.

Focam-se no facto de terem batido a França ou de o terem feito apenas pela segunda vez?

-No pavilhão, 99 por cento das pessoas não acreditavam que seria possível e um por cento nem sabia o que era andebol. E nós conseguimos esse feito. Por isso, por que não voltar a repeti-lo e agora contra a Noruega também.

A Noruega joga em casa...

-Quando os adeptos estiverem a gritar por eles, temos de imaginar que estão a gritar por nós.

Não têm medo que a vitória frente à França vos dê excesso de confiança?

-Estamos com os pés bem assentes na terra. França e Noruega são das melhores seleções e nós também queremos ser. Vamos à luta.

Quem será campeão?

-França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Suécia são todos candidatos, mas também há a Croácia e Hungria.

Vai jogar o seu primeiro Europeu como capitão. É um orgulho maior?

-Sim. Ser o capitão desta equipa que finalmente está num Europeu é transmitir algumas experiências aos mais novos e ajudar o grupo a estar unido e a estar bem para termos mais sucesso. Um capitão deve ajudar no sentido de haver união, espírito de sacrifício, luta e o sentimento de termos de honrar a nossa camisola e dar o exemplo.

Vê jogadores mais jovens que possam manter Portugal nos Europeus?

-A nossa seleção tem muitos jovens que têm um futuro promissor. Este pequeno passo é importante para no futuro Portugal continuar nos grandes palcos. Temos jogadores na formação que têm conseguido sempre bons resultados nas fases finais e isso vai refletir-se na Seleção A.

Esta é a melhor geração do andebol português?

-Não sei, porque o andebol está diferente; dantes taticamente era melhor, agora está mais rápido. Infelizmente, temos falhado apuramentos, mas ao longo dos anos temos tido muita qualidade. Cresci a ver a geração de Carlos Resende jogar. Admirava-os muito.

Tem 34 anos. Quantos mais Europeus/Mundiais poderá jogar?

-Não sei. Sei que a minha carreira não durará muitos e muitos anos, mas sinto-me bem. Não vejo o fim à vista. Vou desfrutar deste Europeu.

AUSÊNCIA DE GILBERTO DUARTE: "FAREMOS TUDO PARA NÃO SENTIRMOS A FALTA DELE"

Gilberto Duarte, uma das referências da Seleção Nacional, lesionou-se e não poderá jogar o Europeu. Tiago Rocha diz que o meia distância "é uma peça muito importante na Seleção e um dos melhores" e que "os jogadores estão tristes", mas não quer acreditar que sem ele a Seleção fique mais fraca: "A falta dele é significativa, mas temos outros na posição dele, como Cavalcanti, André Gomes e o Fábio Magalhães, que certamente vão fazer um excelente trabalho. Vamos fazer tudo para não sentirmos a falta do Gilberto."

"O SELECIONADOR TROUXE UM TRABALHO MENTAL FORTE"

À medida que o Europeu se aproxima prevalece "um misto de confiança, ansiedade e receio", depois de um apuramento "num grupo difícil", mas superado e que deixou para trás anos falhados, em que, lembra o pivô, "se perdiam pontos onde não era suposto, refletindo-se em desilusão". Com Paulo Jorge Pereira, houve apuramento e também "coesão". "Ele transmitiu confiança. Não digo que os outros não faziam o mesmo nem que o grupo não estava unido, mas este trouxe um trabalho mental forte. É importante fazer o jogador acreditar", refere Tiago Rocha, que considera que "ter jogadores noutros campeonatos fez com que Portugal entrasse no patamar dos melhores". "Faltava-nos alguma experiência, mas ela está a vir ao de cima. Somos rápidos e também temos boa constituição física", remata o jogador.

Paula Capela Martins/Rui Guimarães