Basquetebol

Está aí a Liga Placard: Sporting de regresso, os candidatos e o que há a saber

FC Porto derrotou a bicampeã Oliveirense na Supertaça. Campeonato arranca este sábado Rui Manuel Ferreira / Global Imagens

Regresso do Sporting é a maior novidade e pela primeira vez a Liga Placard terá quatro candidatos ao título que pertence à Oliveirense.

"O próximo ano vai ser fantástico, com os três grandes e o bicampeão, que é a Oliveirense". Em junho, mal conquistava o segundo título nacional seguido, com vitória por 3-1 sobre o Benfica na final do play-off, o técnico Norberto Alves já apontava a 2019/20. E a razão para tal é o facto de a 12.ª edição da Liga Placard, que começa este sábado, ter o Sporting de volta ao escalão máximo após 24 anos de ausência, aumentando o número de participantes (de 12 para 14) e de candidatos à vitória.

A exemplo do que aconteceu no regresso do voleibol (campeões em ano de estreia em 2017/18), os leões entram diretamente na corrida ao título, com Oliveirense, Benfica e FC Porto, num panorama bem diferente do passado: águias (seis títulos, incluindo um período em que eram quase únicos favoritos) e dragões (três) dominaram a liga anos a fio até os de Oliveira de Azeméis romperem essa hegemonia.

Construída de raiz, a formação verde e branca apresenta-se competitiva, mesmo que a dada altura o técnico Luís Magalhães tenha revelado existir dificuldade para contratar - "os clubes souberam que o Sporting ia participar e anteciparam-se", dizia -, sendo as principais figuras James Ellisor (MVP da última final) e Travante Williams, ambos ex-Oliveirense.

O Benfica, volvida uma época em branco, fez o maior investimento de todos, também a pensar na campanha europeia: João "Betinho" Gomes e Damian Hollis regressaram à Luz, Micah Downs recuou na decisão de sair, chegou um ex-NBA, Toure" Murry, enquanto Gary McGee e Eric Coleman (este ex-Oliveirense) foram escolhas para as áreas junto ao cesto.

Perdendo Ellisor, Travante e Coleman, mas também Thomas DeThaey para os espanhóis do Breogán, a Oliveirense ficou sem quatro elementos do seu cinco inicial, começando quase do zero a busca pelo "tri". O desfecho da Supertaça (derrota com o FC Porto por 92-69), no último domingo, em Vila Real, mostrou que há muito trabalho pela frente.

Já os portistas, os primeiros a festejar na nova época, reforçaram-se com quatro estrangeiros, passando a ter seis: a Brad Tinsley e Sasa Borovnjak juntaram-se os norte-americanos Max Landis, Preston Purifoy, Tanner McGrew e Noah Starkey, este para começar na equipa B, sendo o núcleo duro nacional uma mistura de experiência e novos valores, entre os quais se destacam Vlad Voytso e Francisco Amarante, da seleção de sub-20 que conquistou o Europeu B este verão, em Matosinhos.

Além dos grandes e do bicampeão, a Ovarense também estará bem colocada para lutar pelo top 4, havendo ainda expectativa em torno do Vitória de Guimarães, que entrou num novo ciclo. Na linha dos últimos dois anos, a Liga promete ser equilibrada e, tendo um número nunca antes visto de candidatos, o desfecho torna-se mais incerto. Até o facto de descerem quatro emblemas fará subir as emoções...

Treinadores: os consagrados e a nova geração

Dos treinadores lusos mais bem sucedidos além-fronteiras, Norberto Alves, Luís Magalhães e Alberto Babo - neste lote só faltará Mário Palma - vão, esta época, fazer parte da Liga Placard, que sai também valorizada por contar com eles.

Os dois últimos foram campeões nacionais ainda nos tempos da antiga Liga de Clubes, seguindo depois para Angola. Após os títulos com a Portugal Telecom (de 2001 a 2003), FC Porto (2004) e Ovarense (1988 e 2007), Magalhães foi campeão angolano e africano pelo 1.º de Agosto, conquistando o Afrobasket"2009 com essa seleção. Agora, após quatro anos de afastamento, regressou ao ativo pela mão do Sporting. Já Babo, campeão pelo FC Porto em 1999 e pelo CA Queluz em 2005, festejou o título angolano no Petro de Luanda e conquistou uma Supertaça com o Interclube, treinando o Maia em temporada de regresso ao topo. Norberto teve um percurso inverso: foi primeiro campeão angolano e africano com o Libolo e só depois campeão nacional, ao voltar a Portugal, indo para a terceira época na Oliveirense.

No meio deste trio e de outros nomes já titulados no panorama nacional, como Moncho López e Carlos Lisboa, novos técnicos ganham espaço: Carlos Fechas (Vitória de Guimarães, 38 anos) e Pedro Loth (Lusitânia, 40) são estreias absolutas, enquanto Nuno Manarte (Ovarense, 43), João Pedro Figueiredo (Illiabum, 40) e Hugo Salgado (Galitos, 32) vão dando provas pela nova geração.

Catarina Domingos