Keizer rescindiu na terça-feira por mútuo acordo e Leonel Pontes é tido como a solução ideal para apostar na formação.
Leonel Pontes é o novo timoneiro da equipa principal do Sporting, transitando do comando técnico dos sub-23 e sucedendo ao holandês Marcel Keizer, cujo contrato foi terminado na terça-feira por mútuo acordo com a administração da SAD liderada por Frederico Varandas (ver mais informação abaixo).
É certo que a campanha 100 por cento vitoriosa à frente da equipa que lidera a Liga Revelação, com cinco triunfos noutros tantos jogos, com 19 golos marcados e dois sofridos, foi um cartão de visita cativante, mas não se esgota aí a decisão o comando técnico quanto a Leonel Pontes.
O madeirense de 47 anos é encarado pela estrutura liderada por Frederico Varandas como um treinador familiarizado com a realidade do Sporting em diversos quadrantes (orientou os sub-19, foi adjunto da equipa B e dos juniores com Paulo Bento, com quem transitou para a equipa principal entre 2005 e 2009, além de comandar os sub-23), tem conhecimento dos valores que despontam na formação e está ciente da aposta que é pretendida nesse vetor, sendo visto como o técnico ideal para pôr em prática esse plano. Até ao final da temporada.
Outro fator que pesou na decisão de apostar em Leonel Pontes passa pela matriz tática que norteia o técnico: um 4x3x3 de tendência marcadamente ofensiva, sem sacrifício do equilíbrio defensivo, que é a imagem de marca da Academia. Isto para além da capacidade que lhe é reconhecida de apostar nos jovens valores emergentes, como Jovane ou Gonzalo Plata, a título de exemplo, algo que Marcel Keizer acabou por não concretizar na sua passagem pelo leão.
Erro na despedida
O tom cordato que marcou a despedida de Marcel Keizer do Sporting não apagou o episódio caricato na oficialização da desvinculação do técnico holandês do emblema de Alvalade. Às 15h00, a SAD leonina comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a "manifestação de interesse para cessação do contrato de trabalho do treinador Marcel Keiser" - assim mesmo, com "s". O erro seria retificado às 16h02. Keizer, que conquistou a Taça da Liga e a Taça de Portugal, não resistiu ao arranque errático de 2019/20, com a goleada sofrida diante do Benfica, para a Supertaça, o empate com o Marítimo e a derrota em casa frente ao Rio Ave. A resistência à aposta em jovens ditou a saída do técnico, que já não foi consultado nas afinações finais do plantel.
Os motivos da saída de Keizer: das exibições ao mercado
Sporting e Marcel Keizer assinaram ao início da tarde de terça-feira o fim da ligação contratual que vinha desde novembro de 2018, um processo que nada mais refletiu do que um acumular de situações que foram afastando de forma gradual estrutura e treinador.
Depois de uma época com brilho, através da conquista das Taças da Liga e de Portugal, a conjuntura que levou à saída do holandês começou a precipitar-se ainda na pré-temporada, mas apurou O JOGO que atingiu o seu pico já com a bola a rolar oficialmente.
Frederico Varandas sempre assumiu que desde janeiro que preparava um grupo forte para atacar 2019/20, mas certo é que dos futebolistas com a sua chancela, apenas Doumbia e recentemente Vietto pegaram de estaca no onze. Por outro lado, não agradou a Keizer a saída de nomes como Matheus Pereira e Bas Dost, processos que chegou a comentar publicamente, remetendo explicações para a Direção. O mercado acabou, aliás, por ser o último sinal da cisão, com a SAD a fechar três nomes e a comunicar a saída do técnico horas depois. Não ajudaram as exibições, principalmente na Supertaça (0-5) e, há poucos dias, diante do Rio Ave (2-3). "Que o Sporting seja um só. Que a equipa tenha o apoio de todos os adeptos. Quando todos apoiarem a Direção e os jogadores, vai ser bom para o clube. Foi ótimo: recordo as duas Taças", disse.
O afastamento
Elogios logo a abrir numa fase de ouro
Em dezembro de 2018, Varandas fazia o primeiro balanço da contratação de Keizer, materializada cerca de um mês antes. Era uma fase de ouro, depois de uma série com sete vitórias seguidas - chegaria às oito. "Hoje falamos dele porque merece, pois é um grande treinador, um grande senhor. Nem o próprio acreditava que ia correr assim tão bem", dizia o líder verde e branco.
Defeso agitado que provocou desagrado
Sinal de que as coisas não andariam bem foram as declarações de Keizer após um defeso agitado e que não lhe deu um plantel fechado. Não concordou com a saída de Matheus Pereira, soube de Bas Dost pela Imprensa e sempre se mostrou sensível com a interrogação à volta do craque Bruno Fernandes.
Contratações não tiveram "os" minutos
Por outro lado, a SAD, sabe O JOGO, não entendeu bem o porquê de Keizer travar a aposta em alguns jovens, nomeadamente naqueles... que custaram dinheiro, como é caso de Plata, que chegou em janeiro. Apenas se estreou no último jogo, na receção ao Rio Ave.
Goleada no Algarve e Braga... a adiar
Impactante foi também a derrota inesquecível que o Sporting sofreu no Algarve frente ao rival Benfica: 5-0 a favor dos encarnados, soma que envergonhou a família leonina. O empate contra o Marítimo prolongou este sentimento e só a vitória ante o Braga adiou o que ontem acabou por acontecer: rescisão por mútuo acordo.
Seguir a estratégia ou falta de autonomia
Como fator mais transversal surge aquilo que, apurou o nosso jornal, foi o descarrilar de uma estratégia pensada pela atual administração: a SAD sentiu que Keizer se desviou do foco concordante no arranque; o holandês, noutra informação que foi possível recolher, considerou que deveria ter tido maior peso em determinadas decisões, não só em termos de mercado mas também na logística do futebol.