JOGO FINAL - A crónica de Carlos Machado
De Alvalade brotaram boas notícias: um Sporting ainda curto, confuso e desarticulado mas solidário, com uma capacidade de sofrimento incrível, que ganha sem ter vergonha de jogar feio em casa; um Braga à grande, sabedor do que o esperava, capaz de aguentar o primeiro impacto, e foi valente!, para depois equilibrar as forças e acabar por cima, a dominar e a ficar a dever golos a si próprio e à história deste campeonato. Ressalta daqui a certeza de ambos estarem a caminhar na direção certa.
O Sporting continua a tremer à primeira ameaça, mas ensaiou 25 minutos de um futebol de qualidade, antes de deixar que as nuvens negras lhe voltassem a pairar sobre a cabeça mal o Braga desapertou o colarinho e arregaçou as mangas. Valeu aos leões que Keizer não quer saber o que se passa nas bancadas e tirou um extremo para meter um central, o ponta de lança para entrar um médio-ofensivo e um médio criativo deu lugar a um trinco.
Acabou a defender com tudo o que tinha: três centrais, dois médios-defensivos e o guarda-redes feito melhor em campo. Sobreviveu mas podia ter corrido mal. E se calhar ficava sem margem de manobra. Foi a mínimos para ter nova oportunidade, para esticar os 25 minutos.
Do lado do Braga a resposta foi a esperada depois das amostras anteriores. Temos candidato! Se não der para o título - negar a candidatura não anula o objetivo -, promete pelo menos ser capaz de andar na luta e causar estragos.
Juntando a este quadro a resposta do FC Porto após ir ao tapete duas vezes nos primeiros assaltos, mais a réplica dada pelo Belenenses ao Benfica, fica a ideia de que, afinal!, esta liga poderá não ser o passeio no parque que alguns têm anunciado.