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Ricardo Costa, o Boavista e a Europa e dois jogadores: "Gostava que ficassem"

Ricardo Costa traça a meta para 2019/20: chegar à Europa é possível

ENTREVISTA (Parte 2) - Depois do que viu o Boavista fazer na última época, Ricardo Costa entende que os boavisteiros só têm de contratar algumas peças para voltar à luta pelo acesso às competições europeias.

Ricardo Costa queria acabar a carreira no Boavista, mas deseja que seja em grande e, para isso, nada melhor do que ajudar a equipa a regressar aos lugares europeus.

Acredita que o Boavista vai lutar em breve pelo acesso à Liga Europa?

-Gostava e espero que sim. Esta época, o Boavista acabou muito bem o campeonato e já tem uma base para a próxima época. Agora, acrescentando as peças certas nos lugares certos, pode crescer e lutar pela Liga Europa.

Lutar pela Liga Europa já na próxima época não é um objetivo demasiado ambicioso?

-Quero objetivos ambiciosos, porque se fosse para lutar para não descer não ia para o Boavista. Quando fui para o Valência, foi para lutar pelo título. Sabia que era difícil, quase impossível, mas ficámos em terceiro lugar dois anos seguidos com o Unai Emery. Ganhámos ao Real Madrid e ao Barcelona em casa deles. No Wolfsburgo fomos campeões. Foi até caricato, porque no ano em que me contactaram tinham lutado para não descer. Pensei: "Vou do FC Porto campeão europeu para um clube que luta para não descer". Mas tanto o presidente como o treinador, o Félix Magath, disseram para não me preocupar porque o projeto era para três anos. Disseram-me que íamos ser campeões entre o segundo e o terceiro ano.

Como reagiu quando lhe disseram isso?

-Não acreditava. Eles disseram-me para assinar e que depois ia ver. Em dois anos compraram 42 jogadores e, no segundo ano, fomos campeões. Isto para dizer que em futebol tudo é possível. E eu acredito no presidente do Boavista [Vítor Murta]. É muito verdadeiro, frontal e dá a cara. Acredito na vontade que eles têm para fazer crescer o Boavista. É também por isso que quero estar lá. Adorei vê-lo no jogo do Boavista de sub-13 e gostei de ver que no final foi dar uma palavra de incentivo aos miúdos.

O primeiro treino do Boavista aberto aos sócios é na terça-feira. Sente algum nervosismo?

-Na segunda-feira [amanhã], dia de exames médicos, vou estar ansioso e nervoso, mas o treino é mais um e será uma oportunidade para conhecer os novos companheiros. Os roupeiros e todo o staff já os conheço a todos. Isso é muito bom, porque sinto-me em casa. Depois é dar a primeira porrada e começo a entrar na rotina... [risos]

"GOSTAVA QUE HELTON E YUSUPHA FICASSEM"

Helton Leite e Yusupha têm mercado e têm sido apontados ao Benfica. Ricardo Costa elogia os dois e destaca ainda Bracali.

Gostava que Helton Leite continuasse no Boavista?

-Gostava. Pela época que fez, é um excelente guarda-redes e deu muitos pontos ao Boavista. Podemos dormir descansados, porque, passe o exagero, sabes que em dez remates ele vai defender nove. Muitas vezes o Boavista ganhava 1-0 e o melhor em campo era o Helton. Uma grande equipa tem de ter um grande guarda-redes. Os êxitos começam de trás para a frente.

Caso Helton Leite seja transferido, o Boavista fica bem servido com Bracali?

-O Bracali fez uma excelente época. Não é fácil ser suplente, estar sem rotinas e ter de jogar de um momento para o outro quando um companheiro se lesiona. O Bracali tem esse mérito. É um jogador experiente e ajudou muito. Demonstrou que podiam contar com ele.

Yusupha é outro jogador com mercado. Acredita que pode continuar?

-Tenho uma história caricata com o Yusupha, porque em Tondela dei-lhe uma "fruta", foi penálti e mandei-o para a mesa de operações. Foi chato, mas aconteceu porque eu queria aliviar a bola e ele meteu o joelho. Espero que ele fique no Boavista. É muito rápido e chato para os defesas, até porque muitas vezes parece que está desligado, mas depois vai com empenho, rouba a bola e finaliza. O Boavista pode jogar com as linhas mais baixas e ele como vagabundo, como 9 solto, a fazer diagonais, a aproveitar a velocidade que tem e a dar profundidade. Pode ser uma mais-valia. Não quero que nenhum deles saia, mas se for melhor para o Boavista, temos de ir buscar alguém que possa fazer igual.

"PORTUGAL ESTÁ BEM SERVIDO DE CENTRAIS"

Presente em três Mundiais, num Europeu e com um largo trajeto em todas as seleções, Ricardo Costa só lamenta não ter chegado à 25.ª internacionalização A.

Está orgulhoso do trajeto que teve na Seleção?

-Orgulho-me de ter representado Portugal desde os meus 15 anos até à seleção A. A única mágoa que tenho é de não atingir a 25.ª internacionalização A. Falta-me uma. Foi marcante estar em três Mundiais, ficar em quarto lugar no de 2006, estar num Europeu, ganhar Torneios de Toulon e vencer o campeonato da Europa de sub-18. Além disso, fui capitão dessas equipas. Conquistei o que pude e agora penso mais no êxito de Portugal, dos meus colegas e do Fernando Santos, porque é uma excelente pessoa e um excelente treinador. Vou ser sempre um apoiante de Portugal.

A seleção está bem servida de centrais?

-Portugal está bem servido. O Bruno Alves já não tem estado tão presente, o Pepe também só vai estar mais dois aninhos, mas estão a aparecer outros com uma qualidade acima da média. Temos ainda o Ferro que está a fazer um excelente trabalho.

O futuro passa por João Félix e Bernardo Silva?

-O futuro é Cristiano Ronaldo, João Félix e Bernardo Silva. O Cristiano ainda está muito bem e tem de continuar porque é uma máquina. Dou-lhe os parabéns pelo sucesso que tem e por ser um exemplo. É um grande amigo, com quem estamos sempre a aprender.

Acredita no sucesso de João Félix em Espanha?

-Vai encontrar outra realidade e vai trabalhar com um treinador muito exigente como o Simeone. Tem de aprender a maneira como jogam, porque é especial e tem um estilo de jogo diferente do Benfica. Mas ele tem muito potencial. Tem de chegar lá e partir tudo.

Manuel Casaca (entrevista)/João Vieira (vídeo e edição)