Conceição e Keizer apostaram nas rotinas que têm trabalhado. À confiança, com crença total nas suas próprias filosofias de jogo. Tanta fé e tanto desenho de jogo de parte a parte... que as partes se anularam. Do nulo, sai vencedor o Sporting de Marcel Keizer, que não perdeu o seu primeiro grande teste.
Num empate em jogo não decisivo, quem perde mais quando se empata? Sou dos que acha que quando um dos "empatas" é o líder, é este que mais perde, quando o jogo, por si só, nada decide. Em Alvalade, o FC Porto perdeu vantagem e ímpeto. Perde vantagem porque o Sporting permanece à mesma distância, no quarto lugar, e porque o Benfica, agora segundo classificado, diminuiu a desvantagem de sete para cinco pontos. Só não perdeu mais porque o Braga nem sempre afirma em campo o que os seus porta-vozes apregoam em público.
Ora, se o FC Porto perde dois pontos em Alvalade, já o Sporting ganha um, sobretudo porque não perde de vista o título, apesar dos oito pontos de desvantagem, não perde vista o segundo lugar, que dá acesso às pré-eliminatórias da Champions e, sobretudo, ganha ânimo porque não perdeu o seu primeiro grande teste contra uma equipa das grandes, ainda por cima a ostentar uma série de 18 vitórias consecutivas. Em resumo, Kaizer não perdeu o seu primeiro grande teste, enquanto Conceição emperrou em Alvalade. O próprio Sérgio Conceição o disse no final do jogo: "O FC Porto perdeu dois pontos e o Sporting ganhou um".
Deixando de lado o estigma estatístico de já não ganhar em casa dos leões há 10 anos, a equipa de Sérgio Conceição apareceu muito bem arrumada defensivamente, o que revela a preocupação do técnico português diante de um Sporting capaz do melhor e do menos bom. Já o papel de desarrumar igual setor do rival, foi algo que nenhum dos protagonistas mais ofensivos conseguiu assumir: Marega não teve espaço e quando o teve mostrou-se desastrado, Soares foi anulado pelos centrais e Brahimi esteve obrigado a dividir esforço atrás e à frente.
Mérito tático para o Sporting, especialmente para Bruno Fernandes, também ele com uma missão de vaivém entre setores - o que podia ter falhado redondamente se o árbitro Hugo Miguel tivesse sido rigoroso no final da primeira parte, desculpando-lhe o segundo amarelo -, no que esteve bem coadjuvado pelos restantes companheiros, que nunca deixaram os dragões jogar em profundidade, para a veloz pedalada da sua dupla de atacantes. Faltou clarividência nos processos e no saber o que fazer à bola em zonas decisivas.
Mesmo a troca de Soares - que podia ter saído como o herói do jogo, não tivesse falhado um remate frontal dentro da pequena área - por Fernando pouca frescura e discernimento emprestou às ofensivas dos dragões, hoje muito perros e com dificuldade em trocar a bola entre si, mesmo em situações de contragolpe muito favoráveis, sobretudo nos últimos minutos da partida, quando o jogo estava sem rei nem roque.
Neste zero a zero entre Sporting e FC Porto, ganhou o Benfica, a única equipa do quarteto que disputa o primeiro lugar que logrou vencer no decurso desta 17.ª jornada.