Opinião

João Araújo

Uma etapa, duas corridas diferentes

Dois dias antes do segundo dia de descanso do Tour, que antecede a aproximação aos Pirenéus e às derradeiras oportunidades para incomodar a liderança bicéfala da Sky na alta montanha, esta 14ª etapa, com chegada nas duras rampas para o aeródromo de Mende apresentava-se como terreno ideal para vingar uma fuga e, em simultâneo, tentar uma emboscada ao(s) líder(es) da geral. Sim, porque numa grande volta como o Tour são várias as corridas e os dramas que se desenrolam em simultâneo.

João Araújo

O melhor sítio do pelotão está longe de ser o ideal

Um engenheiro belga, chamado Bert Bocken, professor nas universidades belga de Lovaina e holandesa de Eindhoven, concluiu com exatidão, com recurso a supercomputadores, superprogramas de análise de dados e simulação em túnel de vento com 121 bonecos em tamanho real, qual o melhor local para se estar num pelotão de ciclismo. E, para além do que nos diz o senso comum - que ir na roda de outro ciclista permite poupar energia! -, quantificou os ganhos consoante o posicionamento: por exemplo, ir na cabeça do pelotão, de cara ao vento, não é o mesmo que ir de cara ao vento mas sozinho, em fuga. O que puxa o pelotão faz 86% do esforço de um fugitivo, porque o estudo do engenheiro belga demonstra que a termodinâmica faz com haja uma pressão da roda dianteira do segundo ciclista do pelotão sobre a roda traseira do que vai na sua frente, ou seja, "empurra-a". O estudo foi ao ponto de determinar que na cauda do pelotão basta fazer entre 5% a 7% do esforço de quem vai na frente para manter a mesma velocidade.