
Lamine Yamal e Nuno Mendes (créditos: AFP)
Um comentário de Germán Burgos, antigo treinador-adjunto do Atlético de Madrid, sobre o jovem do Barcelona foi considerado racista por parte de ambos os clubes, o que levou a esse boicote
O Barcelona e o PSG fizeram um boicote conjunto ao canal de televisão Movistar na quarta-feira, recusando prestar-lhe declarações no final do jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões - terminou com uma vitória espanhola no Parque dos Príncipes por 3-2 - na sequência de um comentário na sua transmissão que foi considerado racista.
O comentário que motivou a polémica surgiu de Germán Burgos, antigo treinador-adjunto de Diego Simeone no Atlético de Madrid, que disse o seguinte acerca de Lamine Yamal: “Se o futebol não resultar para ele, pode acabar a trabalhar no trânsito”, ao mesmo tempo que o jovem do Barça, de apenas 16 anos, fazia uns truques no aquecimento antes da partida com os franceses.
Essas palavras foram consideradas racistas e elitistas por parte de ambos os clubes, que as terão visto como uma comparação desrespeitosa entre Yamal e pessoas que costumam pedir dinheiro na estrada, normalmente em paragens de semáforos.
“Compreendemos que muitos de vocês querem ouvir os jogadores e treinadores, mas a UEFA, o PSG e o Barça informaram-nos que não irão falar connosco, porque estão zangados com um comentário feito no estúdio antes do jogo”, explicou o repórter Ricardo Sierra no final da partida.
“Desse modo, não haverá qualquer reação e peço desculpa a partir daqui, tal como devemos fazer no estúdio”, completou, numa postura também adotada por Burgos, que pediu desculpa pelo seu comentário na emissora espanhola.
“Eu gostava de ter a habilidade deste miúdo. O comentário que fiz não teve a intenção de magoar ninguém. Nós falamos sobre futebol, nada mais. Se ele se sentiu ofendido, lamento e peço desculpa publicamente. Não foi essa a minha intenção. Às vezes, o humor coloca-te em sarilhos. Nestes tempos, temos de nos adaptar a tudo e é isso que estamos a fazer”, afirmou.
Entretanto, a Movistar também frisou em comunicado que “condena qualquer tipo de discriminação e não irá permitir este tipo de comentários por parte de qualquer funcionário ou colaborador ligado à plataforma”. Assim sendo, irá tomar medidas com vista a que esta situação “nunca mais aconteça”.
