
Quando o mercado fecha, por norma, os treinadores podem dormir descansados, mas com o fundo árabe a poder contratar até 10 de setembro todos estão em risco de perder os seus melhores craques
Rodrigo Mora é, por estes dias, um nome na berlinda no futebol nacional e até internacional, discutindo-se a opção de carreira de um jovem de 18 anos se, efetivamente, o Al Ittihad, através do fundo responsável pelas principais contratações para os Big-4 do campeonato saudita, avançar com os 70 milhões exigidos por André Villas-Boas e resgatar o prodígio português até ao fecho do mercado. O FC Porto estará preparado para perder o menino bonito do Dragão, porque existe a consciência de que está valorizado no estrangeiro e que o “perigo” da transferência é real, mas o caso muda de figura se o processo se arrastar para além da data limite para inscrição de jogadores na Liga Portugal (1 de setembro).
É que na Arábia Saudita as transferências podem ser concretizadas até 10 de setembro, o que exibe a vulnerabilidade do FC Porto e de qualquer outro clube que possa ser alvo de uma abordagem por algum dos seus craques, desde que, naturalmente, seja pago o valor constante da cláusula de rescisão, deixando o vendedor descalço.
Há muito que se sabe que as condições são muito desiguais em latitudes diferentes do mesmo futebol global e os dirigentes dos emblemas europeus devem saber lidar com o investidor saudita, para o bem e para o mal. Sem regras de fair-play financeiro nem restrições de tesouraria, o futebol árabe pode continuar a recrutar os grandes nomes mundiais e a tentar elevar o nível do seu campeonato, não havendo forma, por enquanto, de travar este anormal fluxo de jogadores que escolhem aquele “paraíso” para jogarem à bola. Enquanto a FIFA fechar os olhos, a malta vai continuar animada.

