Terra queimada

José Manuel Ribeiro

Tópicos

Não há razões honestas para fazer da Liga uma vítima colateral do caso dos emails

Aparentemente, o Benfica juntou os seus melhores cérebros, foi buscar os manuais de Python e Java e conseguiu piratear um comentário no Facebook da prima do padrinho da avó do alfaiate de alguém por identificar, mas que não é benfiquista. O comentário tem cinco anos, ou seja, o suficiente para provocar uma artrose no dedo indicador que teve de rolar o Facebook da senhora (a diretora executiva da Liga, cujo nome o leitor conhece, com certeza, ou não?) até dar com o pecado original. A denúncia, por fonte oficial não identificada, sucede-se ao boicote simbólico do Benfica ao sorteio da Liga, na sexta-feira passada, que por sua vez se segue a uma ameaça de abandono da direção do mesmo organismo por "falta de posições firmes e claras". Há antecedentes no dossiê Facebook que servem de pretexto ao episódio. O elemento da Comissão Arbitral da Liga indicado pelo Sindicato de Jogadores viu-se forçado a resignar depois de divulgados comentários pró-Benfica em que chamava "puto" ao presidente do Sporting, na sequência do caso Arouca/cigarro eletrónico. De uma forma genérica, o tema é pertinente e o Benfica tem tanto direito a levantá-lo como outro clube qualquer. Em concreto, estamos apenas a falar de emails, de Francisco J. Marques, de um presidente da Liga apoiado por FC Porto e Sporting e de um inquérito em andamento na Comissão de Instrutores desse mesmo organismo. Ou seja, a misturar alhos com bugalhos e a brincar com coisas muito sérias, como sucedeu na era Mário Figueiredo, patrocinado por quem sabemos e com os resultados que os associados da Liga têm obrigação de conhecer.