Salvo pelo gongo de Rui Jorge

José Manuel Ribeiro

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Intervalo para apreciar os sub-21 e dar tempo ao Benfica para pensar bem antes de tentar a terceira vez.

1 - Falemos de pessoas sérias: Rui Jorge, selecionador dos sub-21. É uma espécie de gestor de fortunas de quem fazia ponto de honra em ser pobre e revoltado com isso. Esquecemo-nos sempre de que antes do Europeu de 2016 houve o Europeu de 2015. Se um ensinou a seleção portuguesa a ganhar, o outro ensinou os portugueses a duvidarem da treta recorrente do fim do mundo à porta: "Não há formação, o futebol é incompetente, o génio está todo atrás dos microfones com os pontos negros e os resquícios de uma ideia original cobertos pela maquilhagem." O campeonato da Europa em que Portugal põe hoje o primeiro pé pode correr mal, porque há muitas equipas competitivas, mas basta olhar para a lista de convocados de Rui Jorge e contar quantos deles foram protagonistas da última Liga para perceber que o lucro já não depende disso.

2 - O Benfica acusa o FC Porto de maquinação, mas volta a sugerir a veracidade dos emails quando fala em pirataria informática. Assegura que tem "muita informação grave" e que só falará dela ao Ministério Público, para não conspurcar ainda mais o futebol, mas revela informação mesmo assim e a que escolhe é um suposto contrato com o FC Porto que o atual diretor de comunicação dos dragões acumularia quando trabalhava na Lusa. Sem discutir o senso que isso teria, ou não, baixar ao nível pessoal com um documento que, logo à partida, não se assume como verdadeiro não corresponde exatamente a lavar o futebol com lixívia. Para usar a linguagem do basebol, segundo "strike", contando com a tacada em falso de Pedro Guerra. Ao terceiro, costuma ser "strikeout".